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atualizado em 21.04.2005
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A DEUS.

Salmo 95:4
 

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Ferreiro - mais uma das montanhas esquecidas.
Por Giancarlo Castanharo (Cover)

Em abril de 1994 participei de um grupo da A.M.C. que subiu o Ferraria. A extensa caminhada e o pequeno número de escaladas tornava empolgante uma ascensão naquelas montanhas da região Norte da Serra do Ibitiraquire. O livro de cume do Ferraria registrava os seguintes números: 3 escaladas em 90, 1 escalada em 91, 3 escaladas em 92, 2 em 93. Em 94 fizemos a segunda e a terceira ascenssão. As trilhas são muito fechadas e é comum escutarmos histórias de roubadas e insucessos nesta escalada. Nas nossas escaladas de 94 ficamos motivados em tentar uma rota no Ferreiro, que provavelmente devia estar sem acesso. Com 1.563 m de altitude, o Ferreiro é pequeno se comparado aos gigantes do Ibitiraquire, mas em 1995 resolvemos gastar uns dias numa tentativa.
   Era fevereiro de 95, eu (Cover), o Gustavo (Tavinho), o Alexandre ("Sassá") e o Silmar formamos o grupo. Saímos num sábado de madrugada com destino a Terra Boa. Fomos premiados com um belo dia, céu azul, poucas nuvens, tudo certo para uma bela caminhada. Escolhemos a Trilha da Conceição para a aproximação .
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Chegamos cedinho na porteira da Fazenda Nova Querência, era o começo do fim de nossa aventura. Batemos literalmente com o "nariz na porta". Nós todos contentes e realizados batendo palmas no portão e falando: " - Hoje vamos subir o Ferreiro! Beleza! Beleza! ". Veio o caseiro com uma cara feia e falou: " - Por aqui ninguém pode passar! O dono falou que se for preciso é para soltar os cachorros! ". Nós já conhecíamos muito bem os cachorros de algumas passagens pela fazenda (nada mais nada menos que uma dúzia de Rotweillers), que estavam num canil a uns 100 metros do portão, latindo e loucos para pularem a cerca e nos transformar em carne desfiada de barreado. Nem pensamos em tentar passar escondido, o jeito foi dar meia voltar e ir para o PP. Sacanagem, não? Tudo isso ocorreu por causa de um bando de irresponsáveis, que se diziam excursionistas e passaram pela fazenda meses antes de nós e não seguiram regras básicas de educação. Passaram fazendo algazarras, jogando lixo e o pior, deixaram uma porteira aberta que permitiu que duas boiadas se misturassem e dois touros de raça brigaram até que um morreu. E o coitado do touro valia alguns mil reais! Acho que este fazendeiro nunca mais vai querer ver em sua frente um grupo carregando mochilas e dizendo que vai para Serra! E graças a isso, o acesso a bela e histórica Trilha da Conceição está impossibilitado até hoje.
   Vários anos se foram, e sempre quando encontrávamos os companheiros surgia a perguntinha: " - E o Ferreiro ? Quando é que vai sair?". Achávamos que teríamos que tentar um acesso pelo litoral, lá por Bairro Alto. Somente no começo do ano 2000 tomamos vergonha na cara e resolvemos de uma vez por todas investir no Ferreiro. Formamos um novo grupo: eu (Cover), Gustavo (Tavinho), Pacheco, Emerson ("Forest Gump") e o Fabiano. Saímos no dia 11 de janeiro, e conseguimos um esquema para passar nas fazendas. Fizemos a Trilha da Conceição para nos aproximar ao máximo da crista escolhida. Iniciamos a subida logo depois do meio-dia, aproveitando o leito de um riacho para ganhar tempo, mas a vegetação não queria facilitar nossa brincadeira. Bambus, espinhos e caraguatás, tudo isso para aumentar a ralação. Demoramos algumas horas no meio da floresta até que a vegetação começou a baixar. Fomos premiados por um temporal que veio do litoral e que serviu para resfriar o calor infernal que estava na subida, e melhor ainda, fez com que as botucas e os pernilongos sossegassem um pouco. Após o temporal continuamos por uma vegetação rala e enfrentamos uma parte bem íngreme. Pegamos outro temporal, desta vez com granizo. Estávamos próximos do cume e resolvemos continuar. Chegamos num dos cumes às 19 horas, depois de várias horas de mato fechado.
   O cume é formado por três elevações que formam três cumes isolados, dois praticamente com a mesma altitude e um mais baixo mais para o oeste. Achamos uma haste de ferro galvanizado no cume do meio, parecia ser um porta bandeira. Mais adiante encontramos alguns rastros desencontrados, que talvez fosse de alguns montanhistas que ali estiveram anos antes. Resolvemos acampar em um local mais baixo para não virar alvo dos raios que fulminavam em temporais que se dirigiam para nossa direção. Tivemos que armar rapidamente nosso acampamento, pois um temporal que estava à leste do PP atravessou a Serra e em poucos minutos já estava sobre nós.
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   Na manhã seguinte aproveitamos o tempo bom para tirar fotos e ir até o terceiro cume. Começamos a descer tarde e resolvemos seguir a Trilha da Conceição até Bairro Alto e retornar por Antonina. No final da caminhada pagamos o preço de caminhar na Mata Atlântica em pleno verão, mais dois temporais e a desagradável companhia de uma nuvem particular de botucas e pernilongos que não davam um minuto

de sossego. A meia hora de Bairro Alto resolvemos jogar o Emerson numa poça de lama, porque ele tinha passado no vestibular, isso nos atrasou e chegamos em Bairro Alto 20 minutos antes do ônibus, que é o único, e constatamos algo complicado, a pochete da vítima tinha ficado lá na poça de lama com os documentos e o dinheiro do ônibus! Estávamos decididos a acampar por ali mesmo, pois era necessário +/- 45 minutos para resgatar a tal pochete, tempo este que não tínhamos. Por sorte o Tavinho e o próprio Emerson fizeram uma maratona e conseguiram resgatar a pochete e chegar junto com o ônibus. Depois dos atrapalhos fomos embora felizes e sorridentes, pois cumprimos uma meta que a mais de 5 anos estava para ser feita.

Geancarlo - Cover
(Informativo Montanha, jan/fev-2000

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