Montanha, meio ambiente, amizade e, principalmente, Jesus
atualizado em 27.05.2003
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DOS MONTES PERTENCEM
A DEUS.

Salmo 95:4
 

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Trilha do Telégrafo
Por Tuco.

Enquanto muitos amargavam a garoa em casa, nós estávamos caminhando de Guaraqueçaba - PR até Itapirangui - São Paulo, pela Trilha do Telégrafo. Também amargamos uma garoa, mas conhecemos uma região bastante interessante.

Saímos de Curitiba em direção a Guaraqueçaba, pela viação Graciosa, sábado às 07:00hs. Descemos do ônibus logo depois da entrada do Salto Morato, no rio Guaraqueçaba. Começamos a caminhar o primeiro trecho, até a vila de Batuva, num total de 17,5KM. Dormimos numa escola pública da vila e às 08:30hs do domingo estávamos começando o 2º trecho da travessia, a Trilha do Telégrafo. A trilha tem um pouco mais de 15KM, e termina na estrada que liga Ariri a Itapirangui, no estado de São Paulo. Com o pessoal de Batuva, descobrimos que tem um ônibus que passa por esta estrada, só que com pouca freqüência: " - passa toda terça-feira, mas as vêis faia." . Como nós chegaríamos na estrada no domingo, não haveria condução certa disponível. O jeito era torcer por carona, já que teríamos até Itapirangui mais 34KM.

A Trilha do Telégrafo é um mar de lama incomparável. A Itupava parece asfaltada perto daquele lugar. Uma boa dica para quem quiser um dia passar por lá é, enfie o pé na lama logo na saída, porque cedo ou tarde você vai atolar até o joelho. Durante o percurso, é possível observar um estilo de vida que nós nem lembramos que ainda existe no Brasil. Casinhas enfiadas no meio do mato, onde só se chega caminhando por horas, longe de tudo e de todos, vivendo basicamente de subsistência e da venda de bananas, principal cultura da região (em Batuva tem uma fábrica de balas e doces de banana). Encontramos também uns jipeiros encalhados, que já estavam há dois dias na trilha e previam ficar ainda mais dois dias, para percorrer aquilo que, a pé, se faz em quatro horas ou em sete horas, se você estiver carregando uma cargueira e andando com calma e sem apressar o passo, segundo os moradores do local.

No fim da tarde de domingo, completamos os 15Km da Trilha do Telégrafo e chegamos a estrada Ariri / Itapirangui. Tomamos um banho num rio a beira da estrada e começamos a caminhar, torcendo para podermos pegar uma carona. Andamos cerca de 12Km, três carros passaram e nenhum quis parar para carregar cinco mochileiros sujos e cansados. A noite vinha chegando e ainda tínhamos 12Km pela frente para chegar até uma escola pública onde planejávamos dormir, caso não encontrássemos carona. Estávamos bem cansados e desestimulados, já que andávamos em uma estrada de terra bastante monótona sem nada de interessante e ainda tomando chuva. Fizemos uma parada para descansar um pouco e sermos picados por centenas de borrachudos e quando voltamos a caminhar ouvimos um som que mais parecia - segundo Gilberto Gil - um prelúdio baiano, um frevo pernambucano, um choro de Pixinguinha... o maravilhoso som de um caminhão de caçamba aberta, com a caçamba vazia, indo para onde queríamos ir. Alguns de nós esticamos o dedão, outros juntaram a mão como que em oração, com aquele olhar de cachorro pidão e graças a Deus, o caminhão parou. Prosseguimos no terceiro trecho da caminhada em cima de um caminhão, cansados e com muito frio, já que a chuva ficou mais forte.

O caminhão nos levou até a cidade de Pariquera-açu, 30Km adiante de Itapirangui. Encontramos um "luxuoso" hotel que dispunha da melhor de todas as regalias... chuveiro quente. Era banheiro coletivo, mas a água era realmente quente. Dormimos em cinco num quarto para três pessoas. Ainda demos uma volta pela cidade à noite e no dia seguinte pegamos um ônibus até Registro e de lá pra Curitiba.

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