Como
usuários de trilhas e caminhos da Serra do Mar e
de outros locais no meio da natureza que Deus criou, é
extremamente necessário que tenhamos conhecimento
destas práticas que minimizam o impacto humano sobre
o meio natural e, a partir do momento que as conheçamos,
passemos a divulgá-las em larga escala, para que
nossas atitudes possam ser coerentes com o nosso desejo:
o de usufruir a natureza sem alterá-la.
Uso
dos Caminhos - Trilhas
Sair
em grupos pequenos. Os grupos grandes geram maior impacto
que pequenos grupos separados entre si.
Caminhar
em fila sem sair da trilha. Caminhar disperso, desviando
de pedras água ou lama, pelas laterais da trilha,
aumenta a erosão.
Evitar
caminhar sobre o solo molhado. O solo carregado de água
é mais suscetível a deterioração.
Não
caminhar com mascotes como cães e gatos. Eles podem
alterar a fauna local.
Manter
um nível de ruído baixo. Ruídos estranhos
alteram o comportamento da fauna e atrapalham os pedidos
de socorro. Procure escutar a natureza, ao invés
de forçá-la a escutar você.
Não
cortar caminho nas curvas de nível. O zig-zag e as
voltas que uma trilha dão, não são
para tornar a caminhada mais longa, mas para diminuir a
possibilidade de erosão.
Fazer
as paradas para descanso fora da picada e em lugares com
pouca vegetação. As paradas sobre picada obrigam
outros caminhantes a desviarem da trilha para continuar.
Trazer
o lixo produzido de volta, separando e destinando a um lugar
onde ele possa ser reciclado.
Em
hipótese alguma abra novas trilhas, dê o direito
ao próximo de estar em um lugar com a mínima
interferência. Não corte a vegetação.
Facões são "totalmente" dispensáveis
em uma trilha.
Zonas
de Acampamento
Acampar
somente sobre o solo bastante compactado e já livre
de vegetação. Não abrir clareiras nem
alargar as que já estiverem abertas.
Usar
fogareiro ao invés de fazer fogueira.
Eleger
um lugar suficientemente grande para o grupo.
Não
construir estruturas de nenhum tipo.
Evitar
ao máximo o pisoteio da vegetação.
Lavar
panelas, pratos e roupas somente com sabão neutro
e longe dos córregos de água, usando um recipiente.
Fazer
as necessidades fisiológicas a mais de 50m dos cursos
d'água, fora das áreas de camping e das trilhas,
e enterrar os dejetos pelo menos a um palmo da superfície.
Zonas
Onde Não Existam Picadas
Dispersar
as atividades e não caminhar em fila; caminhar em
fila onde não existam picadas deteriora o solo.
Eleger
zonas de superfície duráveis, como rocha,
cascalho ou cursos de rio.
Eleger
zonas de acampamento em locais duráveis, livres de
vegetação.
Dispersar
as atividades quando se acampa.
Eliminar
todas as evidências de acampamento quando se deixa
o local.
Recicle
suas atitudes, seja correto e dê o exemplo.
P.S.:
Como freqüento o Morro do Canal há bastante
tempo, e estive lá antes do recente fluxo de escaladores,
pude perceber algo que talvez estes recentes escaladores
não tenham dado conta. A vegetação
das bases das vias e a frágil vegetação
rupestre que se esforçava para desenvolver-se nas
paredes do morro não estão resistindo a crescente
visitação, não de farofeiros bagunceiros
e desinformados, mas de NÓS, os escaladores.
A
via Pirilampo Espacial tinha uma pequena fissura com uma
arvorezinha bonitinha na sua parte final; o traçado
da via foi desviado daquela fissura, passava por uma paredinha
repleta de agarras, num lance interessante e bem protegido.
Hoje a árvore já era, só restou um
"toco de pau seco", e certamente não foi
nenhum daqueles que, pretensiosamente, chamamos de farofeiros,
que guiou uma via de 5b, para arrancar a árvore e
fazer uma fogueira.
Por
favor, vamos nos esforçar para mudar esta situação!
Para se escalar um bolder, não é preciso abrir
6m quadrados de clareira nem pisotear e amassar todo bambu
(como acontece em algumas vias do Canal). Não é
preciso desviar da lama para manter sua bota limpinha, não
é preciso escalar trepa-mato (que invariavelmente
acaba se transformando num arranca-mato) numa paredinha
de 20m. Se a base da via for muito frágil (como é
o caso da Bienal), não fique em seis, sete, dez pessoas
amontoadas, arrebentado com a vegetação, não
intencionalmente, mas pelo simples fato de estarem todos
lá ao mesmo tempo.
Certamente cada vez mais escaladores vão freqüentar
este morro. A responsabilidade é nossa!