Escalada
no Cerro Tronador
Por
Sérgio Mousquer e Fábio Teixeira.
Situado
a 80Km de Bariloche, na Patagônia Argentina (3.330Km
de Foz do Iguaçu), o Cerro Tronador é uma
das poucas montanhas da região que se mantém
coberta de neve durante todo o ano, devido a sua grande
altitude e as baixas temperaturas da região. Possui
dois cumes, o Argentino (3.240m) e o Internacional (3.450m),
sendo o último um marco de fronteira com o Chile.
Nossa
aventura teve início no dia 09 de dezembro de 1998,
quando embarcamos em Puerto Iguazu rumo a Buenos Aires,
onde passamos uma noite, e de lá para Bariloche.
Ali permanecemos dois dias para comprar alimentos e alguns
equipamentos que nos faltavam. Na manhã do dia 12
embarcamos em um ônibus que nos levou até a
base da montanha. Foi uma viagem inesquecível de
duas horas e meia por uma estradinha que corta a Cordilheira
do Andes serpenteando entre montanhas e lagos de cor azul
turquesa.
Passamos
quatro dias acampados na base da montanha, onde conhecemos
o glaciar Ventisqueiro Negro, que é como um rio de
gelo que desce lentamente da montanha. Este período
serviu para adaptar nosso organismo ao frio (- 4º C
durante a noite) e também para pegar intimidade com
os equipamentos para gelo (Grampões, botas rígidas
e piquetas). No dia 16 subimos até 1890m onde armamos
o acampamento base. Foram sete horas de caminhada exaustiva
com mochilas que pesavam aproximadamente 20Kg. No acampamento
base, durante a noite, havia muito vento e o frio era um
pouco mais intenso (- 6º C dentro da barraca); porém,
como dormíamos sobre a neve, o frio que vinha do
chão era sempre maior. Nos dias 17 e 18 repousamos,
fizemos alguns treinamentos de resgate - para eventuais
quedas - e escalamos paredes de gelo em gretas (rachaduras
no gelo com profundidade média de 30m) no glaciar
superior.
Na
madrugada do dia 19 iniciamos a subida para o acampamento
avançado (próximo ao cume). Foram mais de
sete horas de caminhada ininterrupta e extremamente exaustiva,
devida a distância percorrida, altitude de mais de
1000m a vencer sobre rampas de grande inclinação
e o fato de a neve estar fofa. Nas últimas horas
a nossa progressão era muito lenta, caminhávamos
cerca de 30m e éramos obrigados a parar para descansar.
Ao alcançarmos os 3000m de altitude armamos o acampamento
avançado. Para eliminar o peso excessivo, não
levamos barraca e tivemos de cavar uma cova no gelo para
passar a noite. Foram necessárias quatro horas e
meia de trabalho para aprontar a cova que tinha 1,50m de
largura, 2,70m de comprimento e 1,10m de altura. Quando
acabamos, por volta das 18:00hs, em seu interior a temperatura
era de - 6º C, e durante a noite baixou para - 12º
C. Ao amanhecer iniciamos o ataque final ao cume, o que
levou 3 horas de escalada em rampas de grande inclinação.
No cume, a 3.240m, às 11:24hs, recebemos a recompensa:
uma vista deslumbrante da Cordilheira dos Andes que somente
os mais audaciosos e persistentes conseguem ter.
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