Montanha, meio ambiente, amizade e, principalmente, Jesus
atualizado em 27.05.2003
AS ALTURAS
DOS MONTES PERTENCEM
A DEUS.

Salmo 95:4
 

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Escalada no Cerro Tronador
Por Sérgio Mousquer e Fábio Teixeira.

Situado a 80Km de Bariloche, na Patagônia Argentina (3.330Km de Foz do Iguaçu), o Cerro Tronador é uma das poucas montanhas da região que se mantém coberta de neve durante todo o ano, devido a sua grande altitude e as baixas temperaturas da região. Possui dois cumes, o Argentino (3.240m) e o Internacional (3.450m), sendo o último um marco de fronteira com o Chile.

Nossa aventura teve início no dia 09 de dezembro de 1998, quando embarcamos em Puerto Iguazu rumo a Buenos Aires, onde passamos uma noite, e de lá para Bariloche. Ali permanecemos dois dias para comprar alimentos e alguns equipamentos que nos faltavam. Na manhã do dia 12 embarcamos em um ônibus que nos levou até a base da montanha. Foi uma viagem inesquecível de duas horas e meia por uma estradinha que corta a Cordilheira do Andes serpenteando entre montanhas e lagos de cor azul turquesa.

Passamos quatro dias acampados na base da montanha, onde conhecemos o glaciar Ventisqueiro Negro, que é como um rio de gelo que desce lentamente da montanha. Este período serviu para adaptar nosso organismo ao frio (- 4º C durante a noite) e também para pegar intimidade com os equipamentos para gelo (Grampões, botas rígidas e piquetas). No dia 16 subimos até 1890m onde armamos o acampamento base. Foram sete horas de caminhada exaustiva com mochilas que pesavam aproximadamente 20Kg. No acampamento base, durante a noite, havia muito vento e o frio era um pouco mais intenso (- 6º C dentro da barraca); porém, como dormíamos sobre a neve, o frio que vinha do chão era sempre maior. Nos dias 17 e 18 repousamos, fizemos alguns treinamentos de resgate - para eventuais quedas - e escalamos paredes de gelo em gretas (rachaduras no gelo com profundidade média de 30m) no glaciar superior.

Na madrugada do dia 19 iniciamos a subida para o acampamento avançado (próximo ao cume). Foram mais de sete horas de caminhada ininterrupta e extremamente exaustiva, devida a distância percorrida, altitude de mais de 1000m a vencer sobre rampas de grande inclinação e o fato de a neve estar fofa. Nas últimas horas a nossa progressão era muito lenta, caminhávamos cerca de 30m e éramos obrigados a parar para descansar. Ao alcançarmos os 3000m de altitude armamos o acampamento avançado. Para eliminar o peso excessivo, não levamos barraca e tivemos de cavar uma cova no gelo para passar a noite. Foram necessárias quatro horas e meia de trabalho para aprontar a cova que tinha 1,50m de largura, 2,70m de comprimento e 1,10m de altura. Quando acabamos, por volta das 18:00hs, em seu interior a temperatura era de - 6º C, e durante a noite baixou para - 12º C. Ao amanhecer iniciamos o ataque final ao cume, o que levou 3 horas de escalada em rampas de grande inclinação.
No cume, a 3.240m, às 11:24hs, recebemos a recompensa: uma vista deslumbrante da Cordilheira dos Andes que somente os mais audaciosos e persistentes conseguem ter.

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