Equipe
Caratuva:
Aldo
Rempel - Karl Raucher
Difícil
fazer um relato interessante de uma expedição
ao "Caratuva" instantes após terminar de
ler o livro "Sobre Homens e Montanhas" de John
Krakauer, onde incursões em algumas das montanhas
mais difíceis do planeta são relatadas. Mas,
tentemos.
Aldo
e eu (Karl) estávamos contetes, com sentimentos nostálgicos,
pois para ambos seria a 1a acampada na montanha desde o
casamento, respectivamente a 4 e 3 anos atrás. Ainda
bem que os remendos na minha barraca e o suave perfume de
naftalina nas minhas "roupas de montanha" que
não usei há anos, lembravam-me de que não
era marinheiro de 1a viajem.
Juntada
a tralheira, seguimos para a chácara que dá
acesso às montanhas da região do PP. Encontramos
um dos donos da chácara cobrando pedágio na
subida do "Getúlio". Proseamos um pouco.
Achei bom alguém estar lá controlando quem
passa e contribuindo para a manutenção das
trilhas. Na conversa soubemos que muitos tinham subido o
Caratuva, que estaríamos mais sossegados se seguíssemos
para o Itapiroca. Contrariando as recomendações,
fomos direto para o cume do Caratuva.
Fiquei surpreso ao encontrar totamente seco o riacho pelo
qual a trilha segue por um curto trecho. Ficamos até
em dúvida se estávamos certos ou nos confundimos
em alguma bifurcação da trilha. Paramos para
descansar sentados sobre as pedras que em outros tempos
formam o leito do riacho. Logo apareceram radio-amadores
que desciam depois de terem realizado serviços de
manutenção no catavento da estação
repetidora que fica no cume da montanha. Então, estávamos
certos.
Seguimos
caminhando num ritmo que não exigisse demais do nosso
precário condicionamento físico. Ainda bem
que o Aldo meteu-se a fotografar orquídeas e bromélias
que encontramos ao longo da trilha. Assim, pude recuperar
meu fôlego de vez em quando sem irritar o companheiro
com os famosos "dá um break"!
Em torno do meio-dia chegamos ao cume e para a nossa alegria,
o povo que tinha subido lá eram os radio-amadores
que encontramos descendo. Acampando mesmo, só mais
um grupo de 3 pessoas . Maravilha. Pudemos escolher onde
acampar. Como o tempo no momento estava bom e as previsões
também, não nos preocupamos em encontrar abrigo.
Armamos minha espaçosa barraca, mais indicada para
um camping de praia do que para montanhas, em meio às
caratuvas bem de frente p/ o PP.
Sei
lá eu de quem o Aldo tinha emprestado um rádio
para nos comunicarmos com os amigos que estavam nos outros
cumes. Também não importa. O fato é
que a geringonça não funcionava. Conseguíamos
ouvir as conversas entre o Gaspar no Tucum, o Cover a caminho
do Ciririca e os amigos que estavamo com "pane Seca"
no Ferraria - mas ninguém recebia nosso sinal. Coisas
da tecnologia. Por falar em tecnologia: fiquei surpreso
ao verificar que era possível telefonar com o celular
lá do cume, coisa que não existia nos velhos
tempos. Ambos ligamos para nossas digníssimas esposas.
No
mais, só alegria. Mar de nuvens ao entardecer, visual
maravilhoso, altas prosas relembrando os velhos tempos.
Vento forte de madrugada, mas nada preocupante. No domingo,
descida tranqüila e uma certeza - precisamos voltar
à ativa, mesmo que só de vez em quando!