Desde
o início da civilização, o ser
humano sempre teve um a tendência a atingir pontos
distantes, migrar, viajar, subir montanhas e cruzar
vales. No princípio, as intenções
principais eram de sobrevivência, mas certamente
muitos já atingiam cumes e locais ermos pelo
simples prazer de estar lá, onde poucos estão,
onde o horizonte é mais amplo.
No século XV, na Europa, começaram a acontecer
algumas escaladas mais ousadas. Tem destaque a difícil
ascensão do Monte Aiguille, na França,
em 1492, por Antoine Ville. O feito causou muita
confusão na época, porque acreditava-se que
dragões e monstros viviam nos cumes das montanhas
e que estes deveriam ser deixados em paz.
Um
grande intervalo se deu, com poucas atividades de expressão
sobre as culminâncias alpinas, até a grande
conquista do médico francês Michel Gabriel
Paccard em 1786. Motivado por um prêmio oferecido
por Horace Benedict de Saussure, Paccard e
o garimpeiro Jacques Balmat conseguiram atingir o
maior cume da Europa Ocidental, o Mont Blanc (4.807m).
A partir daí, o interesse pelos cumes alpinos aumentou
e vários deles foram vencidos. Na maioria dos casos,
porém, o interesse era científico.
Somente
na década de 1850 é que o montanhismo passaria
a ter um interesse próprio, de escalar por escalar.
A conquista do Matterhorn em 1854 foi um dos feitos
importantes da década.
AS
GRANDES CONQUISTAS
Aconcágua
- teto das Américas
Kilimanjaro
- teto da África
Em
1857 foi criado o Clube Alpino de Londres,
primeiro clube de montanha do mundo. O esporte começou
a se organizar e ganhar adeptos. O termo alpinista
se oficializou, mesmo com a procura de cumes em outras
regiões como o Cáucaso, os Andes, África,
Himalaia... Em 1879, o acontece a conquista do Aconcágua
(6.959m), em 1889, o Kilimajaro (5.895m), na
África, em 1907 o Trisul (7.120m), no
Himalaia e em 1913 o McKinley (6.194m), no
Alasca.
A
partir de 1920 o as técnicas começaram
a se aprimorar rapidamente, possibilitando as primeiras
grandes conquistas de paredes como a face
norte
de Eiger em 1938 e várias linhas nas Dolomitas.
Nos anos cinqüenta, nomes como Lionel Terray,
Edouard Frendo e Walter Bonatti deram
nova vida a escalada que Simond e Pierre
Alain iniciaram. Bonatti e Luciano Ghigo
desenvolveram a escalada artificial, utilizando-se
de cunhas e cravos fabricados por eles próprios.
Nesta época começaram as conquistas
no impressionante vale do Yosemite, nos EUA
(Lost Arrow - 1947; Half Dome - 1957;
El Capitan - 1958). A primeira montanha acima
dos 8.000m também foi atingida nessa época;
o Annapurna (8.078m), por Maurice Herzog
e Louis Lachenal. O neozelandêz Edmund
Hillary e o sherpa
Yosemite
- EUA
Fitz
Roy - Patagônia
Tensing
Norkav atingiram o cume do Everest (8.872m)
em 1953. Nos Andes acontece a impressionante conquista
do Fitz Roy, por Lionel Terray e Guido
Magnone em 1952.
A
partir de 1920 o as técnicas começaram
a se aprimorar rapidamente, possibilitando as primeiras
grandes conquistas de paredes como a face norte
de Eiger em 1938 e várias linhas nas Dolomitas.
Nos anos cinqüenta, nomes como Lionel Terray,
Edouard Frendo e Walter Bonatti deram
nova vida a escalada que Simond e Pierre
Alain iniciaram. Bonatti e Luciano Ghigo
desenvolveram a escalada
artificial,
utilizando-se de cunhas e cravos fabricados por eles próprios.
Nesta época começaram as conquistas no impressionante
vale do Yosemite, nos EUA (Lost Arrow - 1947;
Half Dome - 1957; El Capitan - 1958). A primeira
montanha acima dos 8.000m também foi atingida nessa
época; o Annapurna (8.078m), por Maurice
Herzog e Louis Lachenal. O neozelandêz Edmund
Hillary e o sherpa Tensing Norkav atingiram o cume
do Everest (8.872m) em 1953. Nos Andes acontece a impressionante
conquista do Fitz Roy, por Lionel Terray e Guido
Magnone em 1952.
TECNOLOGIA
No início dos anos 60, o avanço tecnológico
foi peça fundamental para o aprimoramento do montanhismo.
O grande ícone dessa época é com certeza
Reinhold Messner, primeiro a subir o Everest sem oxigênio,
primeiro a atingir os 14 cumes acima de 8.000m e autor das
escaladas em solo ao Nanga Parbat e Everest,
além de vários outros feitos notáveis.
Surgiram clubes e associações em todo o mundo
e foi formada a UIAA (União Intenacional das Associações
de Alpinismo).
NO
BRASIL
Agulhas
Negras - P. N. Itatiaia
Os
primeiros registros de escaladas às culminâncias
tupiniquins datam do início do século
19, com ascensões à Pedra da Gávea
e cumes da Serra da Carioca e Maciço
da Tijuca, na sua maioria realizados pelos produtores
de café. Em 1856 José Franklin Massena
subiu parte do Agulhas Negras e em 1817 o Pão
de Açúcar foi escalado por uma senhora
inglesa e outras duas pessoas que teriam
encravado
a bandeira da Inglaterra no seu cume. Isso teria provocado
uma turma de estudantes da Escola Militar que repetiu a façanha
tremulando a bandeira nacional.
O
que se pode considerar a primeira ascensão
"montanhística" do país aconteceu
em 1879, na Serra do Mar paranaense. Joaquim Olímpio
de Miranda organizou uma equipe com o objetivo
claro e determinado de atingir o que era então
considerado o ponto mais alto da região, o
Marumbi. Esta foi certamente a primeira equipe
de montanhistas do país. O cume do conjunto
Marumbi foi chamado de Olimpo, em homenagem ao conquistador.
Marumbi
- Paraná
Em
1898 Horácio de Carvalho e José Frederico
Borba tentaram novamente o cume do Agulhas Negras.
Chegaram muito perto, mas não conseguiram.
Dedo
de Deus - Rio de Janeiro
Em
1912, acontece a conquista que se tornou um marco
no montanhismo nacional. Um grupo de alemães
chega ao Brasil com a inteção de escalar
o Dedo de Deus, em Teresópolis-RJ. Contratam
como guia Raul de Sá Carneiro, profundo
conhecedor da região. Não conseguindo
atingir o cume, declaram impossível que alguém
o faça, já que eles, alpinistas europeus
não conseguiram. Raul se sente ofendido e convida
o ferreiro José Teixeira Guimarães
e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo
Oliveira para tentar a conquista.
José Teixeira cria e fabrica boa parte do equipamentos
utilizados na escalada. O grupo parte dia 3 de abril, e no
dia 9 atingem o cume da elevação. Utilizando
cordas de sisal e chegando a construir escadas de bambu para
vencer alguns trechos, fincam a bandeira nacional e uma bandeira
branca, para facilitar a visualização de Teresópolis.
Na volta, foram recebidos como heróis pela população.
No
dia 1º de novembro de 1919 surge o Centro Excursionista
Brasileiro, no Rio de Janeiro, primeiro clube de montanhistas
do país.
Nos
anos 40 e 50, o montanhismo tinha uma grande força
e atuação em dois centros nacionais, o Rio
de Janeiro, com suas inigualáveis serras e montanhas,
e o Paraná, também com grandes conquistas
realizadas. No fim dos anos 50, os clubes cariocas avançaram
aos Andes empreendendo lá algumas importantes conquistas.
O Pico La Torre (Bolívia), Cerro São
Paulo, Pico Brasil e Pico Rio de Janeiro
(Andes Argentinos) são importantes vitórias.
PARANÁ
No
Paraná, depois da Conquista do Olimpo, no Marumbi,
uma nova conquista prendeu a atenção dos montanhistas
locais. A elevação mais destacada na visão
da estação ferroviária do Marumbi,
o Abrolhos. Pra quem olha dali, a sensação
é de que este seria o cume principal do conjunto.
Parecia uma agulha intransponível, com a face norte
predominantemente rochosa, um dedo apontando para o céu.
Até então, as escaladas ao Marumbi aconteciam
sempre via Facãozinho, até o Olimpo. Na década
de 1930 começaram as primeiras tentativas de alcançar
o cume do Abrolhos, todas fracassadas, até que, em
1937, o artista-gravador José Peon liderou uma equipe
que, depois de quinze investidas, alcançou o cobiçado
cume.
A
partir de 1940, o Abrolhos se transformou no protagonista
das principais escalada no Paraná. A segunda ascenssão
aconteceu pela Bandeirantes em 1942, por Zanlute,
Stengel e Charvet. Em 1946 Gavião,
Sabão e Vagalume abriram a chaminé
do Gavião, primeira via no Parque do Lineu.
Em 1947, no vale entre Abrolhos e Torre dos Sinos, Staca,
Vespa e Sabão abrem a Catedral,
um diedro artificial. Em1947, surge nas nossas paragens
a grande figura do austríaco Erwin Gröger,
o Professor. Junto com ele, vieram suas técinas e
experiências como alpinista europeu, que influenciaram
fortemente toda um geração. Foi ele o autor
da escalada até hoje admirada pelos escaladores -
a Fenda Principal - juntamente com Vespa.
Em 1949 a Oeste, ainda no Abrolhos, por Vespa,
Arame, Vitamina e Miquim. Em 1954,
a primeira grande fenda da Esfinge, a fenda "Y"
por Tarzan e Vitamina. Em 1957, Vespa
e Staca abriram a Oeste Total, que uniu a
Oeste ao Parque do Lineu. 1958 a Fenda 2, e 1959,
a Fenda 1, que na época era chamada de Fenda
3, já que a "Y" era a Fenda 1, ambas conquistadas
por Staca. Em 1962, numa grande empreitada, Staca
e Caladinho abriram a 1ª via na Torre dos Sinos.
1967 acontece a conquista da via Coroados, próxima
ao Véu da Noiva, por Staca e Jura.
1972, Tarzan, Caladinho e Carniça
abriram a tradicional e tão repetida via Enferrujado,
no Lineu, a 1ª via na Ponta do Tigre foi conquistada
por Farofa e Tarzan, no mesmo ano.
Pico
Paraná
Fora
do Marumbi, aconteciam as investidas extremamente
complicadas na serra do Ibitiraquire, região
do Pico Paraná. Em 1941, o trio marumbinista
Maack, Stamm e Mysing, acompanhados
de vários mateiros, iniciam a investida ao
recém descoberto ponto culminante do estado.
Foram dezoito dias de esforço contínuo.
Dia 13 de julho de 1941, atingiram o cume do Pico
Paraná, Stamm e Mysing.
O
último santuário ainda inatingido era o Siririca.
Em 1949, numa empreitada de seis dias, o grupo formado por
Osíres e Orisel Curital e Nobor Imaguire
(Vespa, Arame e Lanterna) atingiu a útilma culminância.
A equipe carregou consigo equipamento para 10 dias de caminhada,
seguindo a rota do Tucum. Como chegaram ao cume antes
do previsto, extenderam a expedição mais ao
sul, até alcançar o cume do Agudo da Cotia.
No
final dos anos 70 e início dos 80, foram muitas as
escaladas no estado, tendo começado as primeiras
vias de um dos principais Campo Escola do país, o
Anhangava.
Em
1987, uma conquista mais contemporânea, mas não
menos clássica, que durante vários anos foi
a maior via de escalada em rocha do Brasil, o Ibitirati.
Um grupo grande de pessoas participou da conquista, com
duas equipes escalando a ainda uma equipe de apoio. Os primeiros
a concluírem a via foram Ivan, Dalinho,
Segundas e Domingos.
MONTANHISTAS
DE CRISTO
Em 1992, é fundada a Associação Montanhistas
de Cristo, que tem como principais idealizadores, Ivan Ribeiro,
montanhista conceituado no estado e o montanhista missionário
Moisés Meneses. A associação nasce
com um diferencial. Além de promover o montanhismo,
têm a intenção de formar um grupo capaz
de praticar o esporte num ambiente cristão e sadio
e de proporcionar aos interessados a oportunidade de conhecer
melhor o amor e o plano de Deus pras nossas vidas.
Hoje
em dia o 'boom' das chamadas ecoaventuras levou o
esporte além das fronteiras dos clubes, formando
as empresas e profissionais que buscam maneiras fáceis
e rápidas de divertir seus clientes. Vivemos uma
época sensível e de grande risco, tanto para
as montanhas quanto para os que tentam conhecê-las.
Por isso é fundamental o conhecimento de tudo que
envolve a prática desta cativante atividade.
Monte
Sinai
Porquê
subir montanhas? Porquê se enfiar no mato em
travessias e escaladas extenuantes? Muitas histórias
bíblicas, desde o antigo testamento, nos mostram
várias travessias e ascensões a cumes
de montanhas. Foi no cume do Sinai que Deus
entregou os mandamentos a Moisés. Jesus vivia
subindo montes para orar e conversar com seu Pai.
Alguns dizem que subindo uma montanha, nós
chegamos mais perto de Deus, ou como dizem
outros,
da "mãe natureza". Mas a grande verdade
é que, subindo uma montanha, nos afastamos das agitações,
incertezas e temores do dia-a-dia do homem. E quando fazemos
isso, temos uma grande oportunidade de contemplar a criação
de Deus e ver em cada pequeno detalhe, ou na imensidão
do horizonte, a grandeza desse Deus que nos criou. A oportunidade
de nos aproximarmos dEle.
Referências
bibliográficas:
Texto de Waldecy Mathias Lucena - CEC
Gazeta do Povo - 1º de setembro de 1984
Textos de Paulo Henrique Schmidlim (Vitamina)
Site montblancbrasil (www.montblancbrasil.hpg.ig.com.br)