TORRE
DA PRATA
UMA MONTANHA 'COMPLICADA'
Nem só de cume vive o montanhista
Estava
lá, no calendário anual da AMC - no mês
de maio: Torre da Prata.
A rapaziada se programou, correu atrás. Na lista
de discussão na internet, um monte de emails pra
acertar quem vai, quem ia mas desistiu, quem guia, quem
havia desistido mas resolveu ir. E ainda teve um adiamento
antes de estar tudo definido. Dia 29 de maio, 5h da manhã.
A
SERRA DA PRATA fonte - Coluna Da Montanha
- Gazeta do Povo
Já no século XV a Serra da Prata era um ponto
de referência no litoral do Paraná. Por ser
a primeira a ser vista do mar, devido à sua imponência
e proximidade, servia de referência para os navegadores
que por aqui porteavam. O nome Prata, ao que tudo indica,
originou-se da presumível existência desse
metal em suas encostas. Na verdade o sol refletindo nas
paredes úmidas do granito da serra fez os antigos
acreditarem na existência desse mineral na região.
Mas, somente em 1944, nos tempos das grandes conquistas
das serranias paranaenses, é que, finalmente, atingiu-se
o cume daquela cordilheira. Duas duplas protagonizaram uma
acirrada disputa para alcançar o cume. Pela face
oeste (estrada da Limeira), embrenhava-se Fernando Andrejewski.
Pela face leste, partindo da estação ferroviária
de Alexandra, seguiam Waldemar Buecken (Gavião) e
Antonio Setengel Cavalcante (Canguru). Levou a melhor a
dupla Gavião-Canguru, que no dia 8 de abril de 1944
fincou os pés no topo virgem da Prata.
PALMITEIROS
E CAÇADORES
Atualmente, a vegetação densa da floresta
atlântica, cortada por diversos caminhos de palmiteiros
e caçadores clandestinos que sangram a região,
tornam essa, a montanha de maior dificuldade de navegação
da Serra do mar Paranaense. São inúmeros os
relatos de montanhistas perdidos, sem rumo, naquela região.
Desde grupos que fariam um ataque de um dia e acabaram levando
dois pra conseguir sair da floresta até um relato
de um montanhista que foi parar na Alexandra-Matinhos depois
de um dia inteiro de caminhada.
A
CAMINHADA (ou A ROUBADA) por Klaus Krüger
Às 6h40 começou a caminhada. Achamos facilmente
o começo da trilha mas, não sei como, erramos
a direção em nada menos do que 180º.
Até notarmos o erro já estávamos andando
mais ou menos 1/2 hora na direção contrária.
Resolvemos corrigir a trajetória. Mas quem disse
que achamos o caminho certo? Chegamos
a uma parte onde a trilha estava marcada - é aqui!
- mas dava num imenso bananal. Resolvemos experimentar algumas
bananinhas que estavam maduras, muito gostosas por sinal,
antes de voltar a procurar o caminho correto.
Caminhamos
com muita atenção até chegarmos ao
rio, logo antes da cabana dos caçadores e da árvore
caída. Paramos para comer algo e eu fui verificar
se aquela era a trilha certa. E não é que
dessa vez acertamos? Mas como já era umas 10h30 -
e nós tínhamos horário para retornar
- resolvemos não arriscar. Ainda encontramos uma
aranha diferente no caminho, que estava servindo de guardiã
da trilha. Tiramos algumas fotos e resolvemos voltar.
Mas
para quem achou que já tínhamos errado o suficiente,
erramos novamente. Na volta, pegamos a mesma trilha que
tinha nos enganado na subida. Mais uma vez tivemos que,
cuidadosamente, procurar a trilha correta.
Para
quem for para a Torre da Prata, vale a sugestão.
As trilhas que levam ao cume estão mais fechadas
do que as que levam às outras direções.
O número de arvores caídas aumentou bastante
e a paisagem mudou muito desde a última vez que estivemos
lá. Dessa vez fizemos um croqui para não errar
mais o caminho. Mas na próxima vez vou levar algum
GPS com a trajetória definida anteriormente, pois
o local facilita e muito a desorientação.
Ao Herminio, ao André e ao Rodrigo peço minhas
desculpas por não ter conseguido guiá-los
ao cume dessa montanha. Mas ao menos voltamos com segurança
e eu aprendi muita coisa. Nessas horas, precisamos manter
a calma, nos orientar e perseverar. Graças a Deus
nada de mal nos aconteceu e espero poder ir novamente, mas
para chegar ao cume.
Mapa
da "caminhada sem rumo" do pessoal.

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PARTICIPARAM DA ROUBADA - Hermínio, André,
Rodrigo, Gaspar e Klaus K.
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