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3ª INV. Sul da Farinha Seca, acampamento na região
do Véu de Noiva.

3ª INV. Cover e Canidia caminhando no leito de
um rio, em direção aos Campos do Cipriano.

3ª INV. Conjunto Marumbi, o Morro do Leão,
e as encostas do Morro Isolado, vistos da região
do Campo dos Ciprianos.

3ª INV. Canidia, Daniel e Cover acampados no
Campo dos Ciprianos. Ao fundo o Morro Isolado.

Tavinho no cume do Pão de Loth, em agosto de
1997, observando de binóculo detalhes da futura
travessia na Serra da Farinha Seca.

4ª INV. Cover e Tavinho no cume do Pequeno Polegar.
À esquerda, o cume do Morro "7".

5ª INV. Rodrigo "Camarão" e
Canidia caminhando no leito de um rio em direção
ao Pico da Farinha Seca.

3ª INV. Canidia e Rodrigo "Camarão"
atravessando uma das piscinas do rio do Meio.

6ª INV. Caminhando na ferrovia Curitiba-Paranaguá,
rumo ao Véu de Noiva.

6ª INV. Da esquerda para direita: Sérgio
"Quindim", Cover, Silmar, Tavinho e Canidia,
em frente à Cachoeira Rui Barbosa, na região
do Campo dos Ciprianos.

6ª INV. Da esquerda para direita: Cover, Canidia,
Sérgio "Quindim", Silmar e Tavinho
no Campo dos Ciprianos.

6ª INV. Subida do "Morro da Avalanche",
ao fundo o Campo dos Ciprianos e o "Morro Isolado".

6ª INV. Caminhando no "rio Plano",
durante a retirada.

6ª INV. Tavinho, Cover, Sérgio "Quindim"
e Canidia, chegando ao Campo dos Ciprianos, após
6 horas de caminhada pelo "rio Plano".

INV FINAL. Tavinho e Cover caminhando no topo do "Morro
Isolado", ao fundo o Pão de Loth, Corvo
e Anhangava.

INV FINAL. Canidia e Tavinho, logo após a subida
do vale da Cachoeira Rui Barbosa. Ao fundo, Marumbi
e as encostas do "Morro Isolado".

INV FINAL. Campos de altitude na região do
Farinha Seca. Ao fundo o "Morro dos Macacos"
e a Serra do Marumbi ao Canal.

INV FINAL. O Conjunto Marumbi visto do cume do "Morro
dos Macacos".

INV FINAL. Lauro, Tavinho e Canidia, com o Morro Pelado
e a Serra da Baitaca ao fundo.

INV FINAL. Subida do 00B, no 2º dia de caminhada
da 8ª e última investida.

INV FINAL. Acampamento no cume do 00B.

INV FINAL. Cover e Tavinho ao lado do livro de registros
do Morro "7", ao final da travessia.

INV FINAL. Cover na Estrada da Graciosa, final da
travessia.

INV FINAL. Tavinho no recanto Engº Lacerda, ao
final da travessia, apontando para o perfil do Morro
"7" na placa de sinalização.
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1ª
INVESTIDA
A idéia da travessia tomava forma em julho
de 1996. No dia 20 o Edenilson (Canidia) e eu (Giancarlo
- Cover) descemos o Itupava, bivacamos na Estação
do Véu de Noiva e no dia seguinte subimos uma
montanha que faz parte do Coroados, de onde foi possível
observar a parte sul da Farinha Seca. Entre as três
cordilheiras da parte sul há uma região
plana coberta por campos, os "Campos do Cipriano".
Com esta investida obteve-se o primeiro contato visual
com a tão escondida parte sul da Farinha Seca.
Os planos já estavam traçados, mas a
segunda investida demorou.
2ª INVESTIDA
Só voltamos à região em julho
de 1997. Partimos pelo Itupava, eu (Cover), Canidia,
Gustavo (Tavinho) e o Sérgio (Quindin, irmão
do Silmar, antigos membros dos Montanhistas de Cristo).
Estávamos preparados para encarar cincos dias
de investida, mas a chegada de uma frente fria inesperada,
alterou nossos planos e realizamos apenas um "ataque"
à mesma montanha que subimos na 1ª investida.
3ª INVESTIDA
No último final de semana antes do 7 de Setembro,
Canidia, eu (Cover), Daniel (Doceiro) e o Quindim,
avançamos pela parte sul da serra. Na manhã
do sábado subimos a "montanha isolada"
e azimutamos os Campos do Cipriano. O plano era atravessar
os Campos e montar acampamento no topo da primeira
montanha da "cordilheira do meio" - o "Morro
da Avalanche". Mas os campos não eram
só campos e os planos foram "por água
abaixo", nos obrigando a fazer um "acampamento
forçado" e retornar dali, no domingo.
Chegamos em Borda do Campo às 9h da noite,
totalizando 21 horas de caminhada em apenas 2 dias.
4ª INVESTIDA
No feriado do 7 de setembro resolvemos "inverter
a carta" e tentar uma investida pela parte norte
da serra. Desta vez participaram eu (Cover), o Lauro
e o Tavinho. Subimos o morro Mãe Catira com
tempo ruim e acampamos no cume. No domingo o tempo
melhorou, e percorremos o grande vale do Rio Taquari,
passando pelo Pequeno Polegar (onde deixamos um livro
de cume) e acampamos no 00B. No trajeto, passamos
por um pequeno cume escondido que apelidamos de "Casfrei".
No dia seguinte prosseguimos em direção
ao Pico da Farinha Seca, seguindo um leito de rio.
Depois de horas de caminhada, atingimos uma fazenda
na localidade do Rio do Meio. Percebemos que a travessia
era bem mais complicada do que imaginávamos.
Foram gastas 19h30 de caminhada nesta investida. Somando-se
os tempos de caminhada das duas últimas investidas
totalizava-se 40h30 de "passeio" pela serra.
5ª INVESTIDA
Desta vez o objetivo principal era escalar o Pico
da Farinha Seca, ponto médio da travessia.
No sábado, dia 10 de janeiro, saímos
de Quatro Barras eu (Cover), Canidia e o Rodrigo Machado.
O percurso seria por um rio que desce do pico e passa
perto da localidade do Rio do Meio. Naquela semana
havia chovido todos os dias, e assim continuava naquele
sábado. O nível do rio estava muito
alto e em alguns trechos foi preciso caminhar com
a mochila no ombro e a água na altura do peito.
Acabamos desistindo porque andávamos duas vezes
mais devagar que o planejado e porque estava muito
frio, e estávamos molhados da cabeça
aos pés.
6ª INVESTIDA
Os cinco dias do feriado do carnaval de 1998 tornavam
mais do que obrigatória uma tentativa final.
Desta vez participaram o Canidia, eu (Cover), Quindim,
Silmar e o Tavinho. Saímos da Borda do Campo
às 5 horas da manhã, debaixo de garoa,
em direção ao Véu de Noiva pelo
Caminho do Itupava. Subimos o "Morro Isolado"
e descemos em direção aos Campos do
Cipriano. No final da tarde subimos o Morro da Avalanche
e montamos as barracas no cume. Foram 13h de caminhada.
No domingo o tempo fechou e um denso nevoeiro não
deixava visualizar nem 10 metros à frente.
Seria necessário "navegar" de bússola
num dos locais mais desconhecidos da Serra. Mudamos
os planos e, ao invés de continuarmos pelas
cristas das montanhas, avançamos por um rio
entre as "serrinhas" do sul da Farinha Seca.
O rio era quase uma "lagoa", comprida e
estreita, sem corredeiras, e sem pedras no leito,
o que nos obrigou a caminhar por dentro dele, com
água pela cintura, durante 5 horas. Estava
muito frio e depois da "aula de natação"
resolvemos azimutar uma "provável"
montanha à direita. Às 17h30 atingimos
um local inesperado: uma crista comprida que caía
bruscamente para a direção que seguíamos.
Fomos obrigados pelo frio e pela chuva a acampar por
ali mesmo, completamente molhados. A situação
estava complicada e o jeito foi abandonar a idéia
de travessia e tentar voltar, em um só dia,
por onde viemos. Foi a sexta investida, e mais uma
vez a natureza falou mais alto.
7ª INVESTIDA
A travessia não era mais um compromisso e sim
um desafio, uma questão de honra! Nos dias
14 e 15 de março de 1998, o Canidia e o Lauro
realizaram a sétima investida - a terceira
na parte norte. Subiram o Farinha Seca pela localidade
do Rio do Meio e montaram acampamento no cume, onde
quase foram fulminados por raios. No dia seguinte
desceram do cume no sentido oeste, e subiram uma elevação
próxima do Farinha Seca, mas que estava fora
do provável percurso da travessia. Deste local
foi possível analisar bem detalhadamente o
trecho médio da travessia (ao sul do Farinha
Seca). A descida foi pelo rio Capivari-Mirim e outro
temporal incomodou a equipe. Uma "cabeça
d´água quase os pegou no rio. No pé
da serra o rio inundou as pastagens das fazendas e
foi preciso caminhar com água pela cintura
no meio de bambuzais durante algumas horas. Foi uma
investida que assustou a turma.
8ª INVESTIDA
Aproveitamos o feriado do dia do trabalho, 30 de abril
de 1998. Saímos da estação de
Roça Nova às 23h30. Estavam no grupo
o Canidia, eu (Cover), o Lauro e o Tavinho. Desta
vez era tudo ou nada! Caminhamos pelo trilho do trem
até a Estação de Banhados e bivacamos
lá. No dia 1º de maio saímos de
madrugada, na direção do "Morro
Isolado". Alcançamos o cume com o dia
belíssimo, propiciando um visual do litoral,
e das Serras da Farinha Seca e do Marumbi. Descemos
em direção aos Campos do Cipriano e
seguimos nossos rastros do Carnaval até no
cume do "Morro da Avalanche". Já
era mais de 14h00, resolvemos desviar da rota do carnaval
(pelo "rio plano"), seguindo em direção
a um morro que apelidamos de "Morro dos Macacos",
por estar lá a nascente do Rio dos Macacos.
Chegamos neste cume às 18h00, sem sol, mas
não dava pra acampar lá devido a uma
densa floresta de altitude. O jeito foi descer rapidamente
em busca de uma brecha em meio à floresta.
Armamos acampamento numa encosta inclinada, com lanternas,
e usando os facões como enxadas para regularizar
o terreno. Jantamos dentro da mata, iluminados por
uma bela lua crescente. Foram 11 horas de caminhada.
Na
manhã seguinte, madrugamos novamente com o
objetivo de chegar ao 00B antes de escurecer. Caminhamos
em direção a um grande morro de campos,
passamos pelo local onde pernoitamos a segunda noite
do carnaval de 1998, na sexta investida, e partimos
logo em direção ao Farinha Seca. Restavam
seis horas de luz, e precisávamos avançar
mais 2 Km. O tempo piorou e ameaçava chover.
Quando chegamos no cume, nuvens carregadas vinham
do litoral e logo encobriram a serra. Apesar de tudo,
seria possível chegar no 00B até às
18h00 e o sucesso da travessia dependia disto. Deixamos
um livro de registros no cume, e descemos o vale em
direção ao 00B, com um nevoeiro que
tornava "macabro" vários locais,
principalmente os fundos de vale: escuros, sombrios
e gelados! A preocupação era a orientação
nos campos de altitude, já que a neblina não
permitia orientação visual, e pelo adiantado
da hora não podíamos nos perder. A "profecia"
se realizou. Eram 17h30, o sol estava se pondo, e
nós estávamos "encalhados"
em meios as densas florestas de altitude. O jeito
foi "chamar" a velha companheira bússola.
Conseguimos chegar no cume às 18h15, quase
na escuridão total. Mas tudo era festa, pois
esta era a cartada final. Mais uma vez montamos as
barracas com lanternas.
No domingo, 3 de maio de 1998, começamos a
caminhar cedo, com garoa e um pouco de frio. A caminhada
seguiu pelo cume do Casfrei, e do Polegar. Agora era
só ir para a "bandeirada final".
Chegamos no cume do Mãe Catira, deixamos as
mochilas e descemos até no morro "7"
onde chegamos às 13h35.
COMEMORAÇÃO
TOTAL
Depois de mais de um ano e meio, oito investidas e
muita caminhada, a travessia estava completa! Estava
muito frio, batemos as tradicionais fotos, comemos
uma comidinha para comemorar, e brindamos com água
mesmo, pois até os sucos em pó já
haviam acabado. Assinamos o livro de registros, no
qual fizemos uma rápida descrição
da travessia e escrevemos uma homenagem ao Oséas
("Black") que faleceu no Morro Balança
em 1997, quando tentava fazer esta travessia em solo.
Agradecemos também a todos os amigos que nos
ajudaram nas investidas e não puderam concluir
a travessia junto conosco: Daniel, Rodrigo, Sérgio
("Quindim") e o Silmar. Ainda tínhamos
que pegar o ônibus na Graciosa, por isso subimos
novamente o Mãe Catira, e descemos em ritmo
acelerado até o recanto Engº Lacerda.
UM
SONHO!
Totalizamos 32 horas de caminhada desde a região
do Véu de Noiva. Depois de 3 dias andando no
meio do mato, com cipó segurando na canela,
bambu enroscando na mochila e caraguatá espetando
a perna, era estranho caminhar na estrada. Andávamos
até meio tortos e levantando a perna mais alto
que o normal. Do jeito que nos recepcionaram no recanto
da Graciosa parecia que estávamos voltando
da guerra. Não sei se parecíamos mendigos
ou fugitivos de batalha, com as mochilas todas sujas,
camisas manchadas de tanto barro e as calças
todas rasgadas pela vegetação. Só
para dar uma idéia, tinha um de nós
que não tinha metade da perna direita da calça
(a perna esquerda era calça, e a perna direita
era bermuda). Melhor do que o gosto do caldo de cana
do recanto só mesmo o gosto da vitória.
Fazia um ano e dez meses que tínhamos este
plano "engasgado na garganta" e parecia
que a conclusão da travessia era um sonho,
mas o sonho era real: a travessia estava completa.
É
muito recompensador relembrar as investidas frustadas
e as roubadas. Foram muitos momentos inesquecíveis
de alegria, surpresa, contemplação de
paisagens, cansaço, frio, decepção,
e muitos outros, como a sensação de
acordar molhado sabendo apenas que estávamos
em algum lugar da Serra do Mar, muito longe do ponto
de civilização mais próximo.
Ao
pensarmos na conclusão de uma caminhada deste
tipo imaginávamos que com este feito descobriríamos
novas regiões da serra, novas trilhas, novas
paisagens, mas na verdade, além disso, descobrimos
que a Serra do Mar guarda surpresas e segredos onde
menos imaginamos, que existem locais onde um simples
passeio é uma aventura e tanto, e que, às
vezes, a natureza "fala" mais alto. Os moradores
dos "pés-de-serra" têm histórias
interessantíssimas, que contam humildemente,
de verdadeiras aventuras montanheiras nas quais andaram
em regiões difíceis da serra, de bota
sete léguas e carregando o cobertor dentro
do saco de estopa que vai pendurado nas costas! Como
diz um velho ditado: "A espingarda não
faz o caçador". Enquanto isso têm
muitos que se julgam exímios montanhistas por
estar usando uma bota de Goretex...
Fomos
obrigados a respeitar ainda mais a Serra do Mar, pois
apesar das montanhas existentes ao longo desta travessia
não serem tão altas quando comparadas
as gigantes do Ibitiraquire, esta travessia se demonstrou
difícil e bastante trabalhosa (na opinião
de alguns, mas difícil que a famosa Travessia
do Canal ao Marumbi - Alpha-Ômega), motivos
pelos quais até a atual data (setembro de 2005)
não há notícias de nenhuma repetição
deste percurso "Véu de Noiva - Morro 7".
Giancarlo
Castanharo - "Cover"
Setembro de 2005
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