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Laguna Verde e Vulcão Licancabur ao fundo. Deserto do Atacama (Chile/Bolívia).

Muito frio e um inigualável amanhecer no Salar de Uyuni (Bolívia).

Isla del Sol, no Lago Titicaca (Bolívia), e ao fundo Nevado Illampu, na Cordilheira Real.

As ruínas de Machu Picchu (Peru), e ao fundo os Picos Huchuy Picchu à esquerda e Wayna Picchu à direita.

Vista do cume do Wayna Picchu para as ruínas de Machu Picchu e a estrada que liga a vila de Águas Calientes às ruínas.

Trekking Cedros Alpamayo – Santa Cruz (Cordilheira Blanca-Huaraz/Peru). D1 – Eu, Miguel, Silvio e Zenón em Huishcach (4.320m), local do nosso 1º acampamento.

D2 – A bela e azulada Laguna Cullicocha, a 4.628m, e ao fundo o Nevado Santa Cruz (6.259m).

D3 – Silvio e Miguel caminhando em direção ao 3º acampamento, e ao fundo a primeira vista do Nevado Alpamayo.

D3 – Alpamayo, com seus 5.947m, considerada a montanha mais bela do mundo.

D3 – Entardecer em Jancarurish (4.250m), nosso 3º acampamento, e ao fundo Alpamayo.

D4 – Eu, Silvio, Zenón, Baio , Miker e Miguel caminhando para o 4º acampamento, Huillcapampa (4.200m), e ao fundo e à esquerda o Alpamayo visto de outro lado.

D5 – Passo Yanacón (4.610m), e ao fundo o Nevado Pucajirca Norte (6.050m).

D5 – Silvio e Miguel descendo o vale e a cada momento aumentava a diversificação da vegetação próximo a Jancapampa.

D6 – Belo amanhecer em Jancapampa (4.050m), nosso 5º acampamento, e ao fundo os imponentes Nevados Pucajirca.

D7 – Eu e Miguel no alto do Passo Punta Unión (4.750m) antes de iniciar a descida para a Quebrada Santa Cruz, ao fundo a Laguna Jatuncocha e bem distante a Cordilheira Negra.

D7 - Chegada ao 7º e último acampamento, Llamacorral (3.760m), e ao fundo o vale de onde viemos e o Nevado Tauliraju.

Nevado Vallunaraju – 27 e 28 de julho de 2006 – ao clarear do dia podíamos visualizar as enormes gretas que nos cercavam.

Silvio e Miguel (mais acima) momentos antes do cume, após escalar as íngremes rampas que dão acesso ao cume do Vallunaraju.

Miguel, Eu e Silvio comemorando a chegada ao cume do Nevado Vallunaraju (5.686m) – Cordilheira Blanca – Huaraz – Peru.

Cume do Vallunaraju e ao fundo a imensidão da bela Cordilheira Blanca.

Silvio e Miguel durante a descida e ao fundo o cume do Vallunaraju.

Nevado Pisco – 30 e 31 de julho de 2006 – Silvio caminhando sobre as morainas e ao fundo o Pisco.

Eu e Wilder próximos ao cume do Pisco transpondo uma das várias gretas.

Silvio e Eu comemorando a chegada ao cume do Nevado Pisco (5.752m) com muito vento, frio e nuvens.

Cume do Pisco e ao fundo à esquerda o Nevado Chopicalqui (6.354m) e à direita o gigante Huascarán S e N (6.768m e 6.655m).

Wilder e Eu em meio a uma nevasca durante a descida do Pisco e passando por outra equipe que subia.
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Deserto do Atacama e Salar de Uyuni
Definido o nosso encontro dia 15 de julho em Lima, e após os preparativos da nossa viagem, parti via aérea para Santiago do Chile no dia 30 de junho, chegando ao destino somente no dia 01 de julho, sábado, por alguns imprevistos aéreos. Como havia atrasado um dia, chegando a Santiago imediatamente peguei um ônibus em direção a San Pedro do Atacama (1.670km ao norte), em uma viagem de 26 horas de duração pela costa litorânea norte do Chile, passando pelas cidades de Copiapó e Antofagasta e por fim adentrando ao interior do Chile. Às 15h do dia 02, cheguei a San Pedro, um pequeno vilarejo ao norte do Chile, com estreitas ruas de terra e casas com paredes de barro. Pernoitei lá e na manhã seguinte, após ter contratado com a Colque Tours (agência) a travessia do Deserto do Atacama e do Salar de Uyuni, saímos em um Jeep Toyota eu, o motorista (Dorró), 2 suiços (Yuri e Fabrício) e 3 finlandeses (Thompo, Pekka e Thomas). Foram 3 diase 2 frias noites (03 a 05 de julho) cruzando o famoso Deserto do Atacama (mais ou menos 370km), com muita poeira e ar seco, conhecendo inóspitos lugares como: o Gêiser Sol de Mañana, Árvore de Pedra, Laguna Verde, Vulcão Licancabur, e no 3º dia chegando ao tão esperado destino, o Salar de Uyuni (maior deserto de sal do mundo), o qual cruzamos sua extensão de 150km em pouco mais de 3 horas, visitando a Isla del Pescado e o Hotel de Sal, e logo após, chegando a cidade de Uyuni, território Boliviano às 11h de 05 de julho. Em Uyuni, após almoçarmos bisteca de llama e um passeio pela antiga cidade (incluindo o cemitério de trens), os suíços foram para Sucre, e eu e os finlandeses pegamos um ônibus às 20h para La Paz. Sabíamos que eram mais ou menos 8 horas e 550km em uma horrível estrada e que fazia muito frio durante a viagem, e realmente foi isso mesmo que enfrentamos. Chegamos a La Paz na manhã do dia 06 de julho e nos hospedamos no El Carretero (já conhecido).
Lago Titicaca e Isla de Uros
Um dia em La Paz para preparativos logísticos (lavagem de roupa e compras diversas) e na manhã seguinte, 07 de julho, eu e os finlandeses nos separamos, e peguei um ônibus até Copacabana, no Lago Titicaca, à 150km de La Paz. Impressionei-me com a beleza local e a tranqüilidade de Copacabana. Dia seguinte, fiz um passeio de barco para a Isla del Sol, desembarcando em sua parte norte e fazendo uma caminhada de 3 horas até o sul da mesma, onde o barco esperava pelos passageiros. Neste trajeto há pequenas elevações na ilha, e do alto destas, pode-se avistar na direção noroeste a parte do Lago que pertence ao Peru, sem poder ver o seu fim diante sua imensidão, e ao fundo, vê-se a Cordilheira Real, com a imponência do Illampu bem próximo, bem como os Condoriri, Huayna Potosi e Illimani, mais distantes. Mais uma manhã curtindo a bela Copacabana Boliviana, e às 13h do dia 09 de julho peguei um ônibus para Puno-Peru. À 1 hora de Copacabana, fica a fronteira seca – Kasani (Bolívia-Peru) – e em mais 2 horas e pouco cheguei a cidade de Puno (conhecida entre os viajantes por furtos a mochileiros). Dentro do ônibus, momentos antes de Puno, haviam oferecido um passeio à Isla de Uros (as famosas Ilhas Flutuantes construídas de Totóra). Desembarcamos na rodoviária e um táxi nos levou até o porto onde pegamos um barco e em 20 min chegamos às ilhas, onde tirei várias fotos e observei a cultura local de seus nativos, que sobrevivem desse turismo com a venda de seus artesanatos. Retornando a rodoviária, após conhecer quatro bacanas paulistas (os irmãos Evy e Erik, e o casal Gabriela e Bruno), pegamos o mesmo ônibus para Cusco, às 20h.
Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu
No ônibus de Copacabana-Puno, o grupo de paulistas havia comprado uma reserva antecipada num tal hotel em Cusco, onde haveria uma senhora chamada Maria Sotomayor esperando por eles na rodoviária daquela cidade. Chegamos a Cusco, e nada dessa Sra. Era um famoso golpe e ela é a mais conhecida pelo mesmo. Após o transtorno, em meio à madrugada, pois chegamos a Cusco às 2h da manha, após quase 400km de viagem, conseguimos somente por volta das 4h um Hotel. O dia seguinte foi para descanso e passeio na Capital Inca, na qual visitamos sua Catedral construída no Séc XVI e alguns museus (Qoricancha e Santa Catalina), e também para acertos para as atividades da semana, como a compra do bilhete de trem para Machu Picchu direto na empresa de trem (que é a maneira mais barata de ir a Machu Picchu). No segundo dia em Cusco, 11 de julho, terça-feira, compramos um passeio para o Vale Sagrado (10 dólares – o dia todo e incluindo o transporte e almoço em um restaurante típico – vale a pena – no entanto é preciso comprar o chamado Boleto Turístico, que dá acesso a todas as ruínas e igrejas do circuito, caso contrário, tem que pagar separadamente, o que sai mais caro) onde visitamos as impressionantes ruínas de Ollantaytambo (a melhor), Pisaq e a antiqüíssima igreja de Chinchero (de 1607), retornando a Cusco ao anoitecer. Terceiro dia em Cusco, quarta-feira, eu e os paulistas fretamos um táxi e visitamos algumas ruínas ao redor da cidade como Saqsaywaman (imperdível), Q’engo, Pukapukara e Tambomachay. No meio da tarde, pegamos o mesmo táxi como já combinado em direção a Ollantaytambo, que fica na metade do trecho entre Cusco-Machu Picchu, onde pegaríamos o trem às 20h para Machu Picchu (ficando mais barato do que ir de trem desde Cusco). Pegamos o trem e chegamos a Águas Calientes (base para Machu-Picchu) às 22h e ficamos até perto de meia noite procurando um Hotel em confiáveis condições. (Comprar a entrada para Machu-Picchu no dia anterior à subida). Na manhã seguinte, dia 13 de julho de 2006, às 6hs pegamos o primeiro ônibus que leva até a entrada da sede do Parque Machu-Picchu (aconselhável subir com o primeiro micro para presenciar as ruínas com o mínimo de pessoas, porque por volta das 10h da manhã, quando chega o trem turístico, as ruínas são tomadas por inúmeros turistas do mundo todo). Pretendia conhecer Machu-Picchu somentepor sua fama, mas ao chegar lá, impressionei-me com aquele lugar. Parecido com “a nossa serra”, com montanhas cobertas por florestas, imensos vales e rios, fiquei pasmo com tanta beleza. Mais belo ainda, é subir aquela famosa montanha das conhecidas fotos de Machu-Picchu que tem ao fundo das mesmas, o Wayna Picchu, com seus 2.634m. Em mais ou menos 1 hora e meia de íngreme subida (estilo Abrolhos-Marumbi), juntamente com Ron, um israelita que havia conhecido em Cusco, chegamos ao cume e a lá paisagem engrandece... as verdes montanhas contrastam com o branco dos nevados que surgem à medida que se ganha altura... além da vista como se fosse aérea das ruínas de Machu-Picchu – “A cidade perdida dos Incas”. Vale a pena também, ao descê-la, subir a montanha menor, Huchuy Picchu (2.479m) e do lado oposto destas montanhas, visitar a chamada Ponte Inca, e com certeza, também, subir a montanha chamada Machu-Picchu, a qual não tive oportunidade por falta de tempo. Ressalto que vale a pena descer das ruínas até a vila de Águas Calientes a pé pela trilha, uma íngreme descida, no entanto com paisagens exuberantes que quem sobe e também desce com o micro-ônibus não percebe. Mais um pernoite na aconchegante Águas Calientes após um exausto dia, às 5h45min da manhã seguinte pegamos o trem para retornar a Ollantaytambo, onde pegamos um ônibus coletivo para Cusco, chegando lá antes do almoço. Último dia em Cusco e a despedida com os meus novos amigos paulistas, e meus preparativos para me deslocar até Lima no próximo dia, onde me encontraria com Silvio e começaria a 2ª parte da minha viagem, então, não mais sozinho. Diante das quase 25 horas de ônibus de Cusco até Lima, considerando meu cansaço e pouco tempo que dispunha, decidi ir de avião de Cusco a Lima, onde cheguei na manhã do dia 15 de julho no aeroporto, dia e local marcados para o nosso encontro.
Lima - Huaraz
Meia hora após o combinado, eu e Silvio finalmente nos encontramos no aeroporto...ufa...até que enfim um amigo de verdade (como é difícil viajar sozinho sem ninguém conhecido e confiável, apesar de tudo, foram 15 dias desde Santiago do Chile, passando pela Bolívia, até Lima no Peru sem nenhum problema graças a Deus)... Com uma reserva antecipada feita no Hotel Espanha, deixamos as bagagens no mesmo e compramos a passagem de ônibus para o dia seguinte até nosso destino – Huaraz, Cordilheira Blanca – distante 420km da Capital Peruana. Aproveitamos o dia e visitamos alguns pontos da Capital, como o bairro Miraflores, à beira do mar, e suas belas praias, o China Town (bairro dos chineses) e um centro comercial com eletrônicos como se fosse um Paraguai, o “Polvos Azules”. Na manhã seguinte, pegamos o ônibus com destino Huaraz, e em 8 horas, após belas paisagens do litoral norte e das diversas curvas da estrada que sobe do nível do mar até mais ou menos 4 mil metros de altitude em menos de 5 horas, observando a nossa aproximação da bela Cordilheira Blanca de dentro do ônibus, chegamos a Huaraz. Reservado antecipadamente o Hotel-Albergue Benkawasi, fomos recebidos cordialmente e logo no primeiro passeio pela cidade percebemos a cordialidade do povo local. Após uma procura pelas agências da cidade e diante da grande diversidade de preços para uma mesma atividade, conseguimos baixar o preço da agência que tínhamos previamente contatado, e acertamos fazer o Trekking Cedros Alpamayo – Santa Cruz com a Infinite Adventures, com duração de 8 dias.
Trekking Cedros Alpamayo – Santa Cruz
D1- No dia 18 de julho, terça, pegamos um táxi, juntamente com o guia Miguel, em direção à localidade de Cashapampa, onde nos encontramos com Zenón (arriero-encarregado de mulas/cavalos de carga) e seus cavalos (Miker e Baio). Prendemos as cargas nos cavalos e iniciamos nosso trekking às 10h30min... O primeiro dia foi com muita subida, pois saímos de 3.200m e chegamos às 17h em Huishcash (4.320m), local do primeiro acampamento, sentindo o início dos sintomas da altitude, trecho pelo qual passamos pelo limite do Parque Nacional Huascarán, pagando a taxa simbólica de 5 soles, e ao fim do dia, já com acampamento montado, fomos presenteados com um belo pôr-do-sol sobre a Cordilheira Negra. Já na primeira noite o frio nos surpreendeu, com certeza menos q 0ºC e leves dores de cabeça atrapalharam o sono. Total de 6h30min de caminhada e desnível de +1.120m.
D2- Dia 19, quarta, amanhecer com um intenso nascer do sol, café da manhã com os pães ainda frescos e início da caminhada às 8h45min. Um longo trecho de subida e chegamos à impressionante Laguna Cullicocha de cor azul piscina (4.628m) e ao fundo da mesma o imponente Nevado Santa Cruz (6.259m). Ainda na face oeste da Cordilheira, avistávamos a Cordilheira Negra do outro lado do vale das cidades, chamado Callejón de Huaylas, e os primeiros nevados da Cordilheira Blanca atrás das encostas que subíamos. Após subidas e descidas, muitos vales e cascalho no solo, chegamos ao nosso 2º acampamento, Ruinapampa (4.025m), às 15h. A segunda noite foi fria, no entanto, menos que a primeira, porque agora estávamos localizados em um vale, protegidos do vento. Total de 6h15min de caminhada e desnível de -295m.
D3- Dia 20 de julho, quinta, após um “reforçado café” agora com os pães amassados e um achocolatado “quase água” iniciamos a caminhada às 8h30min. O terceiro dia foi o mais tranqüilo, pois não havia muito desnível, e logo chegamos ao esperado acampamento Jancarurish (4.250m) às 10h40min, no qual tivemos a desejada vista para a face oeste do Nevado Alpamayo (5.947m), considerada a montanha mais bela do mundo. Montado o acampamento, logo saímos para fazer uma aproximação ao Alpamayo, caminhando por 40 min sobre os cascalhos de suas encostas, chegando à verde Laguna Jancarurish, na base do imponente Alpamayo. Subimos ainda até o Campo Base do Alpamayo, em mais 40 min de íngreme subida, local que é a base para a escalada daquele nevado pela sua face oeste. Após muitas fotos dos nevados ao nosso redor como o Quitaraju (6.036m), retornamos ao nosso acampamento. Após 3 dias caminhando, finalmente um “banho tcheco” em um riacho de água congelante. Jantamos e nos preparamos para a que seria umas das mais frias noites do trekking – “muy alalan” – muito frio no dialeto “Quechua”. Total de 2h10min de caminhada e desnível de +225m.
D4- Dia 21, sexta, iniciamos a caminhada às 8h30min e começamos a forte subida em direção ao Passo (passagem-cela) Cara-Cara (4.830m), o ponto mais alto do trekking, local com a última vista para àquela face do Alpamayo, pois a partir desse momento, iniciaríamos um 360º pela região da Cordilheira onde fica o Alpamayo, e 3 dias adiante, veríamos sua face oposta. Do Passo Cara-Cara uma bela vista do Alpamayo e do Quitaraju, e na direção oposta, uma diferente visão, campos e montanhas mais planas sem neve, para onde descemos e logo subimos o Passo Mesopata (4.460m), no qual já avistávamos uma outra face do Alpamayo, por trás da que tínhamos visto, e os belos Nevado Pucajirca e a Laguna Safuna em sua base. Chegando ao 4º acampamento, Huillcapampa (4.200m), às 14h, localizado em uma planície de campo, onde havia a casa de uma família nativa, três criancinhas da mesma que não falavam castelhano, somente o dialeto Quéchua, ficaram junto conosco naquela tarde esperando ansiosas por um “regallo”, e com um simples pacote de bolacha ficaram muito alegres. Zenón se comunicava com elas por meio daquele dialeto e nos traduzia o que elas falavam. Neste local, após um breve estudo na carta topográfica da região, vimos que era possível fazer um 360º ao redor da parte da cordilheira que se encontra o Nevado Alpamayo, retornando pela Quebrada (que significa vale) Santa Cruz, e chegando novamente em Cashapampa, local de início do trekking. Portanto mudamos nosso plano inicial que seria terminar o trekking numa vila chamada Vaqueria. Após os preparativos para a janta, que sempre era sopa e macarrão, nos preparamos para o 5º dia da nossa aventura. Total de 5h30min de caminhada e desnível de -50m.
D5- Dia 22, sábado, saímos às 8h40min de Huillcapampa e logo iniciamos a subida para o Passo Yanacon (4.610m) onde chegamos às 10h40min. Nesse ponto, logo atrás dos Nevados Pucajirca, fizemos um lanche e iniciamos a descida do mesmo, entrando em uma área de grande diversificação da vegetação, árvores medianas, arbustos diversos e com muitos rebanhos na região. Às 14h chegamos ao 5º acampamento, Jancapampa (4.050m), onde fomos recepcionados por várias crianças moradoras da região, porém agora mais “comerciais” que as do acampamento anterior, vendendo coca-cola e cerveja. Após 5 dias tomando água de rios com purificante (por causa das pastagens próximas aos rios), e para ajudar as pobres crianças, e também para mudar um pouco o acompanhamento do cardápio da janta, que novamente seria sopa e macarrão, compramos coca e cerveja. O entardecer desse dia nos mostrou que essa noite não seria tranqüila, o frio estava por vir. Total de 5h20min de caminhada e desnível de -150m.
D6- Dia 23, domingo, presenciamos um belo amanhecer com o sol avermelhando as paredes dos Nevados Pucajirca, que era o visual da porta da nossa barraca. Sucrilhos e pães amassados e duros de 6 dias atrás foram o nosso café da manhã. Às 8h estávamos prontos e deixamos à bela localidade de Jancapampa e fomos em direção ao Passo Tupatupa (4.400m). Até esse momento, todos nossos dias foram de céu muito azul, quase sem nuvens, no entanto o tempo começou a virar, nuvens se aproximaram e esconderam algumas montanhas. Por volta das 13h passamos pela Laguna Huecrucocha e iniciamos a longa e cansativa subida para alcançarmos o Passo Alto de Pucaraju (4.650m), o que o fizemos às 15h40min e do qual tivemos belas vistas das montanhas nevadas como os Nevados Huascaran (6.768m) – o maior do Peru e o 4º maior das Américas – e Tauliraju (5.830m) e algumas rochosas ao nosso redor, mesmo apesar de muitas nuvens. Descemos a íngreme encosta em direção ao fundo do vale onde ficava o nosso 6º acampamento, Tuctupampa (4.150m), onde chegamos às 16h30min. Esse dia foi o mais longo e cansativo do nosso trekking e também a noite mais fria. Total de 8h30min de caminhada e desnível de +100m.
D7- Dia 24, segunda, manhã com muito frio em que estava difícil até de arrumar a mochila e dobrar a lona da barraca que havia congelado durante a noite, no entanto iniciamos nosso penúltimo dia de caminhada cedo, às 8h, com a última subida do trekking, em direção ao Passo Punta Unión, onde paramos em um “engarrafamento” de mulas que vinham em sentido contrário ao nosso, pois esse trecho é comum a outros trekkings da região. Com altitude de 4.750m, deste ponto se tem um belo visual para a Quebrada Santa Cruz, para a Cordilheira Negra, Lagunas Taullicocha logo abaixo, e a Jatuncocha no fim do vale, próxima ao local onde seria nossa última noite. Chegamos a Taullipampa, um local para acampamento, e mais abaixo desse ponto desviamos um pouco a rota e pegamos uma trilha que levaria até o Mirante del Alpamayo, de onde avistaríamos a outra face do Nevado Alpamayo, oposta a que vimos no 3º e 4º dia. Chegando ao mirante, o Alpamayo estava encoberto por nuvens, esperamos 20 min e nada, sem aparência que seu cume iria aparecer, então continuamos nossa descida. Às 15h10min chegamos ao 7º e último acampamento, Llamacorral (3.760m), onde degustamos da nossa última janta do trekking, sopa e macarrão. Total de 7h10min de caminhada e desnível de -390m.
D8- Dia 25, terça, após 8 dias na cordilheira, acordamos e não encontramos Baio e Miker, os cavalos tinham fugido durante a noite, pois sabiam que estavam próximos de casa e conheciam o caminho. Entretanto Zenón conseguiu uma mula para levar uma parte da bagagem. Nosso último café da manhã do trekking, comemoramos comendo os pães comprados na última terça-feira. Tranqüilos, iniciamos o último trecho às 8h e em 2h30min chegamos a Cashapampa, local de nosso início para o trekking 8 dias atrás, completando assim, um 360º na Cordilheira Blanca sobre a região onde esta localizado o Alpamayo. Após nos despedirmos de Zenón e seus cavalos, os quais já estavam em casa descansando, pegamos um táxi e paramos nas águas termais de Huancarhuas onde tomamos um relaxante banho em uma piscina com água termal a uma temperatura de 38ºC. De táxi fomos até Caraz, chegando lá às 13h, e após 10 min pegamos uma Van coletiva até Huaraz, chegando lá pouco antes das 15h. Após um banho de verdade no hotel, fomos até o famoso restaurante “La Blasa Roja” para comer um farto prato com “meio frango assado e papas fritas”. Total de 2h30min de caminhada e desnível de -560m.
Percorremos aproximadamente 120km em 8 dias no circuito chamado Cedros Alpamayo – Santa Cruz (justificado pelo motivo que se inicia pela Quebrada dos Cedros/Alpamayo retornando pela Quebrada Santa Cruz), no entanto o mesmo é oferecido pelas agências para ser feito em 12 dias.
Huaraz – descanso 1
Dia 26 de julho, nosso dia de descanso na cidade de Huaraz, aproveitamos para visitar o Museu Arqueológico de Ancash e fazer nossos preparativos para nossa próxima aventura – a escalada do Nevado Vallunaraju (5.686m).
Nevado Vallunaraju – 5.686m
Manhã do dia 27 de julho de 2006, quinta-feira, às 7h da manhã estávamos na Agência Montaña Blanca (de Walter), na qual apanhamos nossos equipos de gelo e pegamos um táxi em direção à Quebrada Llaca, juntamente com Miguel, o mesmo guia do trekking, onde chegamos após 1h30min, ao ponto de inicial de nossa escalada. Com o tempo muito fechado, iniciamos a “hiper-íngreme” subida que nos levaria até o Campo Moraina (acampamento base do Vallunaraju, aonde chegamos às 11h40min após 2h30min com mochilas pesando em média 30kg. Montado o acampamento, fizemos um reconhecimento até o início do glaciar por onde iniciaríamos a escalada na madrugada seguinte. De volta ao acampamento, hora de fazer janta (macarrão novamente), presenciamos uma forte nevasca, e tivemos que nos recolher para a barraca. Reunidos no interior da “espaçosa” barraca, comemoramos naquela data, e sob uma intensa nevasca, o aniversário do Silvio, com direito a canto de parabéns. Às 2h45min da manhã do dia seguinte, acordamos e nossa barraca estava forrada com uma camada de neve e o céu estava totalmente limpo. Após o café da manhã, caminhamos 15 min até a base do glaciar onde nos encordamos e iniciamos a escalada às 3h40min. Durante a subida, avistávamos Huaraz e grande parte do Callejón de Huaylas iluminados. Após cruzarmos as 2 equipes que tinham saído antes de nós, logo amanheceu e já estávamos próximo ao cume. Neste local, na base do cume, foi um trecho crítico, pois a nevasca da noite tinha encoberto as gretas, mas logo Miguel encontrou a melhor rota e desviamos a parede frontal e subimos em direção ao cume escalando duas íngremes rampas de sua crista sul. Às 7h30min do dia 28 de julho de 2006, sexta-feira, alcançamos o cume do Nevado Vallunaraju, após quase 4h de escalada. Logo depois, chegou outra equipe de 2 chilenos, e a outra desistiu na subida. Havia uma camada de nuvens pouco acima de nós, o que deixava a temperatura agradável. A cordilheira estava com muitas nuvens o que não nos deixou ver os belos nevados da mesma. Tiramos muitas fotos e logo algumas nuvens estranhas e ventos apareceram, então decidimos iniciar a descida, às 8h45min, a qual foi tranqüila e rápida chegando ao campo base às 10h30min. Preparamos um leve almoço, desmontamos acampamento e em menos de 1 hora chegamos na estrada, onde esperamos o táxi vir nos buscar, conforme combinado no dia anterior. Às 15h30min estávamos novamente em Huaraz, cansados e famintos por uma reforçada comida.
Huaraz – descanso 2
Dia 29, sábado, mais um dia para descanso entre a escalada do Nevado Vallunaraju e da nossa próxima aventura – a escalada do Nevado Pisco (5.752m). Acertamos os detalhes para esta escalada com a mesma agência, a Montaña Blanca, e também aproveitamos para comprar antecipadamente a passagem de retorno de Huaraz para Lima para o dia 03 de agosto.
Nevado Pisco – 5.752m
Às 6h30min da manhã do dia 30 de julho de 2006, domingo, presenciamos um magnífico amanhecer da Plaza de Armas de Huaraz, com o sol “dourando” as encostas do gigante Huascarán, visto de vários lugares da cidade. Logo após passarmos na Agência Montaña Blanca nos juntando com Wilder, o nosso novo guia para o Pisco, e Luiz, nosso portedor (carregador), pegamos uma Van coletiva que nos levaria até a localidade chamada Cebollapampa, local de início para as escaladas dos Nevados Pisco, Huandoy, Chacraraju, entre outros. No caminho, paramos obrigatoriamente na Sede do Parque Nacional Huascarán, onde pagamos a taxa de entrada no referido parque, no valor de 65 soles (27 reais na época). Visitamos o pequeno museu que possui fotos, antigos equipamentos para gelo e matérias sobre as montanhas da região, bem como animais empalhados que habitam a região. Após sairmos da sede do parque passamos pelas esverdeadas Lagunas Llanganuco, cartão postal da região. Em Cebollapampa, iniciamos a caminhada para o Campo Moraina (nome comum aos acampamentos das montanhas locais) às 10h05min com o tempo parcialmente aberto. Às 12h15min paramos para fazer um lanche no Campo Base, que dá acesso ao Pisco e Huandoy, onde há uma instalação para pernoite, chamado Refúgio Italiano (“um semi-hotel, $15,00 por noite”). Retomamos a caminhada às 13h10min e agora nesse trecho, transpusemos diversas morainas (área pedregosa) nas quais há muitas pedras soltas. Chegamos exaustos ao Campo Moraina às 15h10min, após 4h de caminhada fora o tempo de almoço, montamos a barraca sobre a área pedregosa e tomamos o caliente mate de coca, e logo nos preparamos para a janta. Não sendo diferente, por volta das 16h começou uma nevasca, então nos recolhemos e terminamos de jantar na barraca. Logo anoiteceu, e a nevasca permanecia, e às 3h30min da manhã do outro dia, acordamos, porém um pouco tarde, pois o Pisco tem uma escalada um pouco mais longa que a do Vallunaraju. Tomamos café e saímos eu, Silvio e Wilder (guia) do Campo Moraina às 4h10min, chegando ao início do glaciar após 40 min de íngreme caminhada sobre as pedras escorregadias por causa na neve que as cobriam. Luiz, o porteador, ficou junto às barracas para nos esperar após a descida com um almoço quente. Às 5h10min iniciamos a parte de gelo. À medida que o dia ia clareando, ficávamos pasmos com tanto beleza, pois estávamos no Pisco, considerada a montanha mais panorâmica de toda a Cordilheira Blanca. Durante a escalada, os imponentes Huandoy estavam à nossa retaguarda, com uma impressionante vista do reflexo do sol nascente em suas paredes, a nossa esquerda bem ao lado, o belo Arteson, com sua perfeita forma piramidal e mais ao fundo, o famoso Alpamayo. Do outro lado, bem próximo, o gigante Huascarán S e N (6.768m e 6.655m) – o maior do Peru e o 4º maior das Américas, e ao seu lado o Chopicalqui, e ao nosso redor o resto da maravilhosa Cordilheira Blanca. Após transpormos várias gretas o dia clareou totalmente e logo o clima se inverteu. Ventos fortes e nuvens se aproximavam rapidamente. Próximo ao cume o clima estava complicado. Às 8h10min do dia 31 de julho de 2006, segunda-feira, após 3 horas de escalada em ritmo forte sobre o gelo, chegamos ao cume do Nevado Pisco. Muito vento e um frio insuportável. O vento cortante congelava nossa faces. Para nossa sorte, em alguns momentos abriam algumas “janelas” entre as nuvens e podíamos avistar o Huascarán e o Chopicalqui bem ao nosso lado e também os Huandoy Norte e Sul, entretanto foi somente o que pudemos avistar de seu cume. Logo as nuvens encobriram totalmente a montanha e o vento ficava cada vez mais forte, o que nos obrigou a iniciar a descida às 8h20min sem tempo para comer, somente tirar algumas fotos. Já no inicio da descida não enxergávamos 5 metros à frente e nossos rastros deixados na subida haviam sido cobertos pela neve que caia. Graças a presença do nosso experiente guia, Wilder, porém após alguns sufocos, descemos pela rota certa e logo saímos da área crítica dos ventos e pudemos fazer um lanche pois estávamos famintos. Em 2 horas de descida estávamos sãos e salvos no Campo Moraina. Comemos e logo desarmamos acampamento e iniciamos a descida, agora cautelosamente para descer as encostas pedregosas das morainas. Saímos às 11h30min e em 2 horas e 15 minutos chegamos a Cebollapampa aonde o táxi que viria nos buscar já nos aguardava. Paramos na sede do Parque Huascarán onde compramos alguns recuerdos e às 16h10min chegamos a Huaraz.
Huaraz e o retorno para Lima
Aproveitamos os dias 01, 02 e 03 de agosto, para conhecer a cidade de Huaraz e fazer as compras de “recuerdos” que não podem faltar em uma viagem dessas. Visitamos pontos turísticos, praças, diversos mercados ao ar livre, constatando a perseverança dos moradores em um trabalho justo, seja vendendo um ramo de legume ou um saco de batata na beira da rua, numa cidade pobre, onde, no entanto, há um baixo e quase nulo índice de criminalidade. Uma cidade calma que sobrevive do turismo e que em 1970 foi devastada por um terremoto que causou inúmeras avalanches das montanhas nevadas sobre as cidades do vale do Callejón de Huaylas, onde muitas cidades ficaram parcialmente soterradas ou totalmente como no caso da vila de Yungay, matando aproximadamente vinte mil pessoas em todo o vale. Em Huaraz, restou uma única rua intacta, chamada Calle Jose Olaya, que visitamos no dia 03. Às 22hs do dia 03 de agosto, quinta-feira, embarcamos em um ônibus em direção a Lima, aonde chegamos antes das 6h da manhã de 04 de agosto. Deixamos nossas bagagens nos Hotel Espanha que havíamos nos hospedado quando da chegada em Lima, tomamos uma café e fizemos um passeio pelo centro velho de Lima, conhecendo o Palácio do Governo, Congresso Nacional, praças, igrejas e um museu de artefatos de cerâmica. Após compras de alguns postais, almoçamos e nos deslocamos até o aeroporto para aguardar nosso vôo para São Paulo.
A longa e cansativa volta para o Brasil
Dia 04 de agosto de 2006, sexta-feira, chegamos às 14h no aeroporto, entretanto nosso vôo estava previsto somente para as 21h10min. Preocupados com o excesso de bagagem, dividíamos o peso entre as bagagens e fazíamos testes, as quais não poderiam exceder 21 kg para a grande e 5 kg para a bagagem de mão. Eu tinha 21 kg na mochila grande mais 2 mochilas pequenas com 8 e 7 kg cada. Sem problemas no check-in, despachamos as mochilas grandes e um alívio se passava. Após um longo passeio pelo free-shopping embarcamos por volta das 21h. Tranqüilizados com o embarque, e que a princípio às 4hs da manhã do dia 5, hora do Brasil, pousaríamos em SP após 5 horas de vôo mais 2 de diferença de fuso-horário e tudo estaria bem. No entanto, por volta das 4h da manhã, o piloto nos informou que iríamos para o RJ porque não havia teto para pousar em SP. Ficamos das 4 às 6h da manhã trancados dentro do avião no Galeão-RJ, quando então fomos liberados para descer do avião porque SP não tinha previsão de abertura. Minha conexão para Curitiba era às 9h10min, e pensei: “...se sairmos até as 8h30min daqui talvez dê tempo...”... Que nada, saímos às 10h30min do RJ. Chegamos a Congonhas-SP e lá foi uma guerra para eu conseguir trocar a passagem do vôo que tinha perdido. Após um longo stress consegui uma vaga no mesmo vôo que Silvio voltaria, às 16h. Como de praxe, o vôo saiu somente às 18h e por volta das 19h desembarcamos em Curitiba, após 29 horas dentro de aeroportos e aviões.
Percorrendo aproximadamente 4,5 mil quilômetros e totalizando 37 dias de viagem, sendo 15 dias sozinho e 22 com meu amigo Silvio, passei por capitais de países e minúsculas vilas, lagos verdes e lagos azuis, desertos de areia e de sal, montanhas nevadas e vulcões, praias e vales, neve e cascalho, museus e igrejas, e o mais envolvente, povos e culturas distintas de 3 países com muitas diferenças sociais e que ainda mantêm as antigas culturas herdadas dos povos passados. Chile, Bolívia e Peru, destes, o primeiro mais evoluído e com menos diferenças sociais; o segundo que dos três é o mais pobre, com muita pobreza mesmo na capital, e no interior famílias que ainda vivem em locais inóspitos e isolados das comunidades e quase sem nenhum apoio das autoridades; e o terceiro, com uma bela capital, mas também com muita pobreza no interior, porém com menos intensidade que na Bolívia. Países com inúmeras e exuberantes belezas naturais para conhecer e que necessitam deste turismo para sua melhor sobrevivência. Ressalto que apesar da simplicidade e da cordialidade da população é necessário ter cautela e evitar determinadas cidades ou locais para encerrar uma viagem com tranqüilidade.
Por Gustavo Castanharo – “Tavinho”
gustavo_castanharo@hotmail.com
Março de 2007
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