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atualizado em 24.08.2005
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Salmo 95:4
 

notícia 17/06/05


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SALTO ÁNGEL - 1.100M DE PAREDE
O maior negativo do mundo, em plena floresta venezuelana, totalmente liberado por uma equipe de britânicos, um russo e locais - lances de até 9c.

Fonet: desnivel.com


Foto do grupo no Salto del Ángel (1.100 m). Foto: John Arran
Uma equipe de escaladores britânicos (John Arran, Ana Arran, Miles Gibson e Ben Heason), um russo (Alex Klenov) e venezuelanos (Iván Calderón e Alfredo Rangel) terminou em abril deste ano a primeira via em livre dos 1.000 m do Salto del Ángel, o maior negativo e maior cachoeira do mundo. Uma parede que conta com várias vias até a metade da parede. Somente uma alcançava o topo, aberta por Adolfo Madinabeitia e Jesús Gálvez em março de 1990: Ruta directa (1.150 m, A4/6b).

Todas as tentativas de repetição haviam fracassado. E é uma parede de acesso complicado que exige muita logística. Primeiro um vôo de 2 horas num "teco-teco" para chegar a um povoado indígena remoto. Depois, 3 dias de canoa pelo rio Churrun.


Ben Heason escalando, com o Salto del Ángel atrás.
Foto: John Arran
19 dias... e 14 noites
A equipe demorou 19 dias para completar a via. Fixou os primeiros 400 metros de corda e, num ataque definitivo, pasou 14 noites seguidas na parede antes de sair pelo cume com todo equipo, comida e água. Dos 31 esticões, metade ficaram acima do E6 britânico, e nove de E7, cinco dos quais foram superados à vista (um E6 de escala tradicional inglesa pode traduzir-se por um 8c nacional e o E7 por por um 9b/c, ambos muito expostos). Ben recordava "as horas que passei em um dos esticões de E7/6a foi uma das experiencias mais aterrorizantes que vivi. Tive que concentrar-me como nunca para poder encadenar aqueles lances". John, Ben e Miles encabeçaram os esticões mais difíceis.

Até alcançar a parte mais negativa, escalaram vários esticões sob os "ataques" intermitentes da cachoeira. A rocha de pouca qualidade e a ausência de boas proteções foram os protagonistas de quase todos os esticões, mas a equipe permaneceu fiel ao princípio ético de não instalar proteções fixas. Só foram usados cinco 'spits' em paradas onde se usaram porta-ledges e duas chapelatas em toda via.


A Ruta Directa de Gálvez e Madinabeitia, e a variante da equipe que liberou a parede. Foto: John Arran

Equipos parede abaixo!
Já no cume, antes de descer, a equipe reuniu todas as cordas e fitas e as arremessaram, parede abaixo. Recuperaram tudo depois a uns 60m da base da parede.

Sobre a escalada, Ben Heason comenta que "a liberação segue boa parte da linha original de Gálvez e Madinabeitia, exceto por algumas variantes, sobre tudo na saída, que é totalmente diferente, bem como no crux da parte central. A diferença entre o artificial e a escalada livre faz com que as variantes sejam necessárias".

Heason lembra que "a escalada de Gálvez e Madinabeitia foi incrível, ainda mais se considerarmos que eram somente dois, e que sozinhos deram conta de todo trabalho; gostaria muito de encontra-los um dia para tomar umas cervejas e falar sobre a escalada".

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