Montanha, meio ambiente, amizade e, principalmente, Jesus
atualizado em 21.04.2005
AS ALTURAS
DOS MONTES PERTENCEM
A DEUS.

Salmo 95:4
 

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Acidente aéreo.
Por Tuco.

Num fim de semana de novembro de 1996, fui com minha família para Bombas, litoral de Santa Catarina. Levamos algum equipo de escalada e os parapentes. O tempo esteve ruim durante a viagem, mas no sábado o sol saiu. Fomos até a praia de Canto Grande, no Morro do Macaco, com os parapa. No cume do morro (repleto de boulders) encontramos outro voador aqui de Curitiba. Ele foi o primeiro a decolar, seguido por mim e pelo Tato. Um vôo agradável com uma vista espetacular porém rápido demais (uns 5 min). Resolvemos, eu e o Tato, voltar para Bombas e tentar um vôo mais longo ali mesmo.

A decolagem em Bombas é bem mais complicada. Um morro baixinho e relativamente sem graça, mas pela sua posição apresentava melhores possibilidades de vôo. Eu já havia decolado dali outra vez e consegui um vôo de mais de meia hora no "lift". No litoral, o vento que sopra constantemente do mar para a terra durante o dia proporciona vôos muito agradáveis no que chamamos de "lift". É o vento que acompanha o relevo e oferece sustentação para o piloto por estar vindo de baixo para cima. Numa velocidade razoável (de 10 a 20 km/h) este vento permite vôos de várias horas, muitas vezes permitindo ao piloto ganhar altura bem acima da decolagem.

O Tato decolou primeiro e eu fui em seguida. Era aproximadamente meio-dia, o vento variava de 10 a 15 km/h. Voamos durante 15 ou 20 minutos quando comecei a sentir problemas. Na intenção de ganhar um pouco mais de altura, para ver o outro lado do morro (Porto Belo), eu me aproximei demais da crista. O mesmo vento que forma o lift na frente do morro, forma o "rotor" atrás, logo após a crista. É fácil de imaginar que entrar no rotor causa problemas sérios de vôo. Eu realmente ganhei altura e pude ver o outro lado quando me aproximei da crista, mas quando tentei retornar, percebi que o vento estava bem mais forte que na decolagem. Não conseguia ir para frente e fui arrastado lemtamente pelo vento até o rotor. Fiz tudo que podia mas o vento estava forte demais. Senti os primeiros chacoalhões e continuei indo de ré. Meu irmão (Tato) estava próximo e gritava algo que eu não podia entender. Com o efeito do rotor comecei a levar as primeiras fechadas e perder altura rapidamente. A queda foi rápida e assustadora. Enquanto eu tentava inutilmente fazer alguma coisa, as árvores cresciam debaixo dos meus pés. Num breve instante já estava batendo contra elas.

Quando tudo parou, eu estava suspenso a uns dois metros do chão com a vela enroscada num coqueiro. Eram 12h30 aproximadamente. Eu estava bem, só havia batido o joelho com bastante violência em uma árvore, mas, com dificuldade, podia caminhar. Durante uma hora esperei que me encontrassem. Ouvi algumas vozes e berrei para me localizarem, mas as vozes diminuíram até desaparecerem no mato. Não sabia se havia caído mais próximo de Bombas ou de Araçá, uma prainha logo antes de Porto Belo. Era uma mato muito fechado, repleto de "capim navalha" e eu estava só de bermuda, camiseta e sandália. Achei que seria difícil me encontrarem e resolvi caminhar. Tentei ir para Araçá, mas o avanço era muito lento e doloroso, por causa do joelho e do capim navalha cortando meus pés e pernas. Andava marcando o caminho para poder retornar se preciso. Comecei a ficar nervoso e enquanto andava orava pedindo que Deus me ajudasse a tomar o rumo certo. Foi quando decidi retornar ao parapente e seguir na outra direção até Bombas. Caminhei mais algumas horas, já estava com os pés, pernas, mãos, braços e rosto muito cortados e sangrando. Caminhava e orava pedindo a Deus para chegar na praia em segurança. Caminhei lentamente, sem parar, abrindo caminho num mato muito fechado, num calor de lascar. Os cortes novos já não doíam mais. Caía, rolava, levantava e seguia caminhando, realmente muito cansado e doído. Quando o sol começou a desaparecer, ainda nem ouvia o mar. De repente ouvi uns sons, pouco depois encontrei um cano de captação de água e o segui até uma casa na encosta do morro, em Bombas.

Quanta alegria e gratidão a Deus. Caminhei até o carro e de lá pra casa. Enquanto estava no mato, minha família orava por mim, e eu tenho certeza que Deus esteve comigo e graças a Ele, apeser de tudo, o final foi feliz.

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